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Beijo: expressão, reverência, espiritualidade

Eis mais um gesto universal – o beijo!

Talvez a mais antiga expressão de sentimento, a melhor demonstração de reverência, uma – nem sempre percebida – manifestação de espiritualidade e respeito pelo sagrado!
 
E como as pessoas, de todo o tempo, cultura e lugar, beijam e se beijam!
 
Beijam-se ao encontrar-se ou ao despedir-se.
 
Beijam a taça conquistada nos campeonatos esportivos ou a medalha das mais variadas modalidades olímpicas, orgulhosamente portada no pescoço!
 
É clássica e corriqueira a imagem do atleta beijando o escudo da equipe que representa, delicadamente colocado no lado esquerdo do peito, como expressão de amor, após uma conquista, um gol ou um lance transformado em ponto!
 
O beijo é tão expressivo que não poderia ficar de fora da nossa espiritualidade!

 

Na Sexta-feira Santa fazemos a adoração Santa Cruz, depois a reverenciamos justamente com um beijo – reconhecimento e gratidão pela redenção que ela nos trouxe

Beijamos imagens sagradas, medalhas abençoadas, nosso terço após a oração de cada dia, a cruz, uma relíquia, o escapulário, o santinho da nossa devoção…
 
Na Quinta-feira Santa, ele é dado nos pés dos que representam os doze apóstolos, recordando, assim, o gesto de serviço aos irmãos por parte daquele (o sacerdote), que representa o Cristo, e por isso mesmo deve também servir os seus irmãos até o fim!
 
Na Sexta-feira Santa fazemos a adoração Santa Cruz, depois a reverenciamos justamente com um beijo – reconhecimento e gratidão pela redenção que ela nos trouxe!
 
Beija-se ainda o Menino Jesus na celebração do Natal!
 
Há ainda o costume de o Bispo beijar a Cruz na recepção em sua Catedral ou no começo da visita pastoral em uma Paróquia.
 
Um dos beijos mais expressivos é o dado ao Altar no início e no final da Santa Missa – sinal de reverência e afeto pela Mesa onde vai ser celebrada a Eucaristia –, e que simboliza também uma saudação ao próprio Cristo, a quem o altar de cada igreja representa!
 
Outro beijo que salta aos nossos olhos é dado no Evangeliário, no final da leitura, por quem proclama o Evangelho na Santa Missa. Beijo que é um gesto de fé na presença de Cristo que se comunica a nós como a Palavra verdadeira, Palavra que nos salva!

 

A partir de hoje, quando o sacerdote beijar o Altar no início e no final de cada Santa Missa, faça desse beijo, também um beijo seu. Do seu lugar na igreja beije o Cristo, cujo Altar simboliza

Eis o beijo – gesto humano ou cristão, expressivo, reverente, espiritual – quando dado com dignidade, autenticidade, leveza, respeito e devoção, comunica sempre amor, fé, acolhimento, apreço, solidariedade, companhia, gratidão pela pessoa ou pelo objeto que beijamos!
 
Dois Papas nos dão preciosos exemplos. Quem não se recorda do saudoso Beato João Paulo II beijando, por repetidas vezes, o solo dos vários países que visitou – gesto que marcou para sempre suas viagens missionárias?!
 
E quem esquece do nosso Papa Francisco beijando tão carinhosamente as diversas crianças colocadas em seus braços ao longo de suas idas e vindas nas ruas cariocas, durante a JMJ?!
 
A partir de hoje, quando o sacerdote beijar o Altar no início e no final de cada Santa Missa, faça desse beijo, também um beijo seu. Do seu lugar na igreja beije o Cristo, cujo Altar simboliza; depois, siga em paz e em Sua companhia até a próxima Eucaristia!
 
A partir de hoje – se é que você já não o faz – beije coisas ou pessoas, consciente de que está beijando algo ou alguém que tem origem no Criador – logo, alguém ou algo sagrado!

 

Dom Abade Filipe da Silva
 Mosteiro de São Bento- Rio de Janeiro (RJ)