Você está em:

No decorrer da nossa história e das nossas catequeses, ensinaram-nos a amar a Deus e a respeitá-lo, utilizando-nos de vários recursos que nos implantavam na mente, de uma imagem de Deus que, embora nos amasse, sempre castigava. Que sempre estava a cobrar atos e fatos de nossa vida para nos tornarmos merecedores do seu amor. Trata-se de uma teologia compreendida como “Teologia da Retribuição”. Se eu faço, sou recompensado.

Essa teoria provém das várias compreensões que se tem ao ler o texto bíblico. No Antigo Testamento, o livro de Jó retrata essa teologia retributiva. Ela afirma que todo sofrimento é resultado de algum pecado. Os amigos de Jó, Elifaz, Bildade e Zofar, por exemplo, fazem uma afirmação nesse sentido: se Jó sofre, é porque cometeu algum pecado grave!

Alguém disse que os amigos de Jó estavam “mais preocupados em salvar a doutrina da retribuição do que em sofrer junto com Jó”.
 

Deus é infinitamente misericordioso e compadece-se dos homens, sobretudo daqueles que sofrem a miséria mais profunda, que é o pecado

Essa teologia está no texto bíblico e, realmente, não podemos deixar de lê-la, mas devemos procurar compreender o texto levando em consideração a compreensão que o povo tinha de sua experiência com Deus nas diversas épocas da história e como nosso Deus foi se revelando. Os textos bíblicos precisam ser lidos e interpretados nos seus contextos. Essa prática de leitura bíblica nos ajuda a descobrir o Deus que se esforça por revelar-se a nós com toda a sua gratuidade.

A nossa busca de um amor verdadeiro e gratuito por parte de Deus pode concretizar-se quando enveredamos pelos caminhos de Jesus Cristo. Ele, em toda sua plenitude, pessoa, vida, e mensagem, nos revela a plenitude de Deus. Ele, Jesus Cristo, é a imagem perfeita do Pai. Assim, todos nós Cristãos relemos a Bíblia à luz do mistério da sua encarnação, morte e ressurreição. Sua morte de Cruz é a expressão máxima do amor, da graça e da salvação que Deus nos concede.

No Novo testamento encontramos São Paulo que diz ser Jesus “a imagem visível do Deus invisível”. Em palavras simples, tudo o que acontece em Jesus, palavras e obras, tudo aquilo que ele faz nos revela Deus, o Pai em seu mistério.

São Paulo chama a Deus, em 1 Cor 1,1-7, de Pai das Misericórdias, sublinhando assim a sua infinita compaixão pelos homens, que ama muito intimamente. Assim somos chamados a amar os nossos irmãos: com amor verdadeiro e misericordioso assim como Deus que se compadece dos homens, sobretudo daqueles que sofrem a miséria mais profunda, que é o pecado.

Para que aprendamos bem, a Sagrada Escritura nos ensina, com uma grande variedade de termos e de imagens, que a misericórdia de Deus é eterna, isto é, sem limites no tempo, imensa, sem limites de lugar nem de espaço; e universal, pois não se limita a um povo ou a uma raça, e é tão extensa e ampla quanto às necessidades do homem.

São Paulo chama a Deus, em 1 Cor 1,1-7, de Pai das Misericórdias, sublinhando assim a sua infinita compaixão pelos homens, que ama muito intimamente. Talvez poucas verdades se repitam nos textos sagrados tão insistentemente como esta: Deus é infinitamente misericordioso e compadece-se dos homens, sobretudo daqueles que sofrem a miséria mais profunda, que é o pecado.

Várias são as imagens de Deus que vamos construindo em nossas mentes, conforme a nossa maneira de nos relacionamos como Ele. Vamos, desde já, trabalhando a nossa mentalidade para a percepção de um Deus amor e misericordioso que nos ama incondicionalmente e está sempre perto de nós.

Neuza Silveira
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH