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As partes da Missa que competem ao presidente

 

A Instrução Geral do Missal Romano, em seus artigos 30-33, orienta a respeito das partes que competem ao presidente proferir. São as chamadas orações presidenciais. Não significa, contudo, que as orações lhe pertençam. São orações da Igreja. Ele é um ministro e as profere em nome de todos e na pessoa do Cristo. As orações que diz em seu próprio nome são chamadas de “secretas”, por serem ditas em voz baixa, com o intuito de se implicarem no rito, de forma piedosa, humilde e servil. O fato de as orações ditas em nome do povo não pode ser entendido como desculpa para uma errônea compreensão da participação. Não é pouco comum que presidentes incentivem os fiéis a rezar consigo as orações que são reservadas ao seu ministério. Outra é a forma de a comunidade participar: ouvindo e elevando o coração junto com a oração presidencial, na voz do presidente.

 

O fato de as orações ditas em nome do povo não pode ser entendido
como desculpa para uma errônea compreensão da participação

As orações presidenciais são importantes. Tal importância é assinalada pelo fato de a instrução recomendar que se calem inclusive os instrumentos musicais. Sobretudo, porque são orações dirigidas ao Pai, “por Cristo, com Cristo e em Cristo”, ou “por Cristo, nosso Senhor”, ou ainda “por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”. Os “fundos musicais” tem, na verdade, mais a intenção de entreter os ouvintes que não são destinatários.

Sobre as monições, o missal é flexível: permite que o presidente as altere segundo o espírito das mesmas que estão propostas no rito. Veta, contudo, que se faça monições (ou qualquer outro tipo de intervenção) no interior da oração presidencial maior, a oração eucarística e por extensão às demais (vejam o número 31). Como são inoportunas essas intervenções, ainda que a despeito de corrigir, ou ensinar. Rompe-se o discurso oracional, inteiramente voltado ao Pai, para “ensinar” ao povo, que em seu caráter sacerdotal, também está voltado para Deus. Não há como descrever tal comportamento: é uma lástima! Nada pode ser considerado mais importante do que rezar bem. A liturgia da Igreja é o cume e a fonte, porque são ações de Cristo, não nossas.

Lamentável é ainda a falta de decoro: rezar com pressa, sem a devida “ars celebrandi”. Já que o presidente reza no lugar do Cristo Cabeça, dando-lhe visibilidade sacramental, por que não se aprende do próprio Jesus a voltar o olhar para o alto (e não para a assembleia), integrando as dimensões afetivas e corpóreas à oração. Ao ônus do número de celebrações que são exigidos dos ministros, por causa do seu múnus pastoral deveria corresponder uma maior familiaridade com o texto, a ponto de se libertar um pouco do livro… Decorar é uma arte que não pertence apenas à dramaturgia. É um recurso esquecido e que requer coração (de cor, de coração). 

 

Pe Danilo César
Liturgista