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As dimensões da vocação diaconal


Ordenação de diáconos permanente, na Arquidiocese de Belo Horizonte

 

O diácono permanente é uma vocação da Igreja para o serviço, o serviço dos irmãos. Essa vocação é uma benção na própria Igreja, mas em muitas dioceses ainda não está implantada. No site da Comissão Nacional dos Diáconos Permanentes, o padre Walter Goedert apresenta uma definição e comentários muito interessantes sobre a vocação. O sacerdote afirma: “Dado que o diácono permanente é simultaneamente pai e esposo, exerce uma profissão civil e se consagra à comunidade eclesial pelo sacramento da Ordem, sua vocação abrange vários aspectos”. Na verdade, são três grandes dimensões: familiar, profissional e eclesial. Embora com desafios próprios, estas não deixam de contribuir positivamente para a realização da vocação diaconal. Administrar esses desafios e colocá-los a serviço da missão constitui tarefa diária.

 

É preciso maturidade para atribuir a cada função o peso certo no momento exato. A harmonização dos possíveis conflitos exige uma escala de valores ditada pela vivência dos sacramentos do Matrimônio e da Ordem, e pela responsabilidade profissional. Não se trata de privilegiar uma das dimensões em detrimento das outras; é preciso, mesmo dando prioridade momentânea a uma delas, buscar o equilíbrio. Sem essa harmonia, não existe plena realização vocacional.
 
Uma vez que a vocação inclui aspectos sobrenaturais (é Deus quem chama e espera resposta), é necessário aplicar à vocação diaconal as características bíblicas do chamado. Vocação é antes de tudo, dom de Deus: “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações” (Jr 1,4-5). É também dom para a Igreja. Um bem para o vocacionado e para sua missão. Como dom, deve ser acolhido dentro das circunstâncias de tempo e de ambiente.

 

Não pense que Deus dá vocações para adultos ou só para crianças. Há vocacionados desde o útero materno. Creio que toda hora, toda idade, toda a etapa da vida é hora de Deus chamar

Na avaliação da autenticidade de uma vocação, devem ser levadas em consideração as aptidões objetivas do candidato, a livre determinação da vontade e a confirmação do chamado pela Igreja. Esse processo deve ser feito em estreita união com a família do candidato [ao diaconato], com a comunidade eclesial e com os responsáveis diretos pela formação diaconal. A Sagrada Escritura revela, ainda, que o chamado acontece em vista de uma missão especifica. É convite pessoal que espera adesão consciente de fé e de vida, incluindo uma consagração particular a Deus em forma de serviço ao povo. Toda vocação constitui um serviço; o chamado ao diaconato o é de forma especial, por ser o diácono sinal sacramental de Cristo-Servo.
 
O serviço, comum a todos os cristãos, o diácono o assume como função própria, da qual dá testemunho personalizado. Abraça a diaconia com toda a intensidade de sua vida, como algo que lhe diz particularmente respeito. João Paulo II afirma: “O diaconato empenha ao seguimento de Jesus, nesta atitude de serviço humilde que não só se exprime nas obras de caridade, mas investe e forja o modo de pensar e de agir” (L’Osservatore Romano, ed. portuguesa, n. 43 (24/10/93), p 12).

O carisma do diácono é ser sinal sacramental de Cristo-Servo (Puebla 697-698). Mas, o que fazer para fomentar essa vocação? Reze sempre, sem deixar de fazê-lo, com fervor, diariamente pelas vocações. Nos EUA de uma paróquia saíram 700 vocações entre padres e diáconos. O Bispo daquela diocese dizia: “aqui tem adoração o ano inteiro em todas as paróquias e casas religiosas pedindo operários para a messe”. Não pense que Deus dá vocações para adultos ou só para crianças. Há vocacionados desde o útero materno. Creio que toda hora, toda idade, toda a etapa da vida é hora de Deus chamar. João e André foram chamados às 4 horas da tarde, na “undécima hora”. Moisés foi chamado aos 80 anos. Existem diáconos ordenados com 78 anos.

 

Diácono Paulo Franco Taitson
 Capelão do Hospital Infantil São Camilo 

Responsável pela Pastoral Hospitalar na Arquidiocese de Belo Horizonte
Ph.D e Pós-doutor. Professor na PUC Minas.