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[Artigo] Viver o amor do Cristo Ressuscitado – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Estamos no tempo de reajustar a rota da vida, de buscar uma espiritualidade que nos ajude a construir o bem-viver e nos desperte o pensamento mais profundo na direção do ser humano, um olhar periférico para enxergar o outro e sua situação. Somos chamados a ser luzes nos caminhos difíceis. Acostumados a dizer que crescemos com as experiências de vida procurando buscá-las nas relações presenciais, hoje somos chamados a praticar o isolamento social para fortalecer a nossa sobrevivência.

Nesse sentido, mudar a rota do nosso olhar não significa que só vamos olhar para dentro, mas volvê-lo em várias direções. Olhar para os que estão próximos, convivendo num mesmo ambiente, respeitando as restrições propostas pelos órgãos competentes. Mas, ao mesmo tempo, esse nosso olhar pode estar alcançando dimensões antes não valorizadas, nem mesmo observáveis, principalmente sobre o Ser Humano.

Na correria do cotidiano, tínhamos tempo para pensar no outro? Conhecer novos valores? Atender aos clamores da fé? À luz da fé em Jesus, perceber a existência do outro que necessita de cuidados, assim como nos prescreve a Campanha da Fraternidade deste ano?

Façamos o memorial do tempo atual, um tempo forte na vivência da nossa fé. Tempo Pascal que nos aproxima, nos coloca perto da fé pascal que possibilitou o seguimento de Jesus no Espírito. Tempo que nos traz à memória as experiências dos primeiros seguidores e seguidoras de Jesus, homens e mulheres que, aceitando sua proposta, acreditaram na sua presença em seu meio.

É o encontro com o Ressuscitado que fundamenta a fé dos discípulos e discípulas desde outrora, por isso não podemos perder a oportunidade de continuar a realizar sempre esse encontro com Jesus.

 

A Ressurreição do Senhor

A Ressurreição do Senhor nos convoca a descobrir o amor misericordioso que Deus tem para conosco. Trata-se de um amor tamanho que não tem medidas e é vivendo esse amor que vamos ser capazes de clarear as várias imagens de Deus que carregamos na nossa caminhada de fé. Vamos jogar fora as imagens caricaturadas de um Deus que é vingativo, que está sempre a nos cobrar e que nos ama na medida do no nosso mérito pessoal. Com a ressurreição do Senhor só nos resta uma possibilidade: enxergar o amor misericordioso de Deus e amarmos a todos com esse amor que Deus nos ama: Amor incondicional.

Realizando as leituras do Evangelho, nele percebemos grandes exigências para viver esse amor, mas trata-se de exigências a serem cumpridas, não para merecer o amor de Deus; Ele já nos deu seu amor, mas para experimentar esse amor em nossa vida e ajudar também aos irmãos e irmãs viver esse amor.

A graça de Deus simbolizada numa nova vida, ressuscitada, torna-se motivação para enfrentarmos os sofrimentos nessa vida. Deus nos ajuda para que possamos ver nascer um novo dia e nele somos conduzidos para a realização de uma vida plena, mas os passos somos nós que temos de dar.

Citando o Papa Francisco em sua “Bula de proclamação do jubileu extraordinário da misericórdia” ele diz: “A misericórdia do Pai tornou-se viva, visível e atingiu o clímax em Jesus de Nazaré”. O Pai, “rico em misericórdia” (Ef 2,4), depois de ter revelado seu nome a Moisés como ‘Deus misericordioso e clemente, lento na ira, cheio de bondade e fidelidade’ (Ex 34,6), não cessou de dar a conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza divina. Na plenitude do tempo (Gl 4,4), quando tudo estava pronto segundo seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar o seu imenso amor. Quem o vê, vê o Pai (cf. Jo 14,9). Jesus, com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa, revela a misericórdia de Deus.

Na morte e ressurreição de Jesus Cristo, Deus torna evidente este seu amor que chega ao ponto de destruir o pecado dos homens. Jesus, o Cristo ressuscitado, nos leva à reconciliação com Deus através do mistério pascal e da mediação da Igreja. Assim, Deus está sempre disponível para o perdão e Jesus é o caminho que nos leva até ele.

Para percorrer esse caminho de salvação, deitemos o nosso olhar nas bem aventuranças (Mt, 5,3-12; Lc 6,20-23 e lá encontraremos a realização plena dos nossos anseios). Olhemos para a parábola dos talentos (cf. Mt 25,14-29, do mordomo (cf. Mt 24,45-47; 25,31-46) e Lc 10,25-37) e lá está a salvação como recompensa pela prática da solidariedade e do amor. Também podemos encontrar na caminhada formas de superação das limitações do sofrimento olhando para as parábolas do perdão e da misericórdia (cf. Mt 1823-35; 20,1-15; 21,28-32; Lc 15,1-32).

Nesse tempo de pandemia, vamos nos voltar para reflexões sobre o amor misericordioso de Deus, deixar encarnar-se desse amor para que ele possa ser levado àqueles que estão impacientes, prestes a perder a esperança. Ao assumir como nossa a causa dos desvalidos, aproximarmos dos excluídos, o crucificado que é o ressuscitado torna-se a esperança dos que esperam contra toda esperança.

Fortalecidos na fé pascal podemos continuar a caminhada e, passado o tempo da pandemia, estaremos prontos para retomar o aconchego e o calor humano e realizar celebrações festivas, na comunidade, retomando as experiencias relacionais e vivendo o amor juntos aos irmãos de fé e de caminhada.

Vamos amar as pessoas, conforme nos lembra a primeira carta de São João: “Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.

Enquanto não pudemos sair para as celebrações em comunidade, vamos celebrar em nossas casas. Encaminho uma sugestão de celebração.

 

Celebração

O primeiro passo é a preparação do ambiente: Em uma mesa com toalha branca colocar a Bíblia, uma vela, um cacho de uvas naturais, um cálice de vinho, ou o que for possível.

Para iniciar cantem todos: Rm nome do Paim em nome do Filho, em nome do Espírito Santos estamos aqui… (2x)

São João, na sua linguagem simbólica profunda, nos passa uma linda mensagem de vida.

Pode-se fazer uma bela reflexão lendo o texto de São João 15,1-11.

Depois de ler o texto com atenção, procure sublinhar no texto as palavras “permanecer” e “dar fruto”.

Para refletir:

  • Quantas vezes as palavras “permanecer” e “dar fruto” se repetem? Que será que isso quer dizer?
  • Que significa “permanecer em Cristo”, na prática da nossa vida?
  • Que significa “dar fruto”
  • O que simboliza a “Videira? E os “ramos”.

Esta leitura nos faz lembrar todo o Mistério Pascal:  Morte e Ressurreição do Senhor e envio do Espírito Santo.

Elevemos a nossa imaginação:

O PAI é o agricultor que planta a videira, a comunidade de JESUS. O Senhor Ressuscitado dá sua vida pela comunidade.

O ESPÍRITO SANTO “rega” a videira e faz passar a seiva (a vida da graça) do tronco. Cristo, para os ramos, que assim vão produzir frutos. É o Espírito Santo que nos une a Cristo e que nos envia ao mundo em missão.

Depois da reflexão podem cantar uma música. Como sugestão “Amor sem medida”

Terminar a celebração com a oração do Pai-Nosso.

 

Neuza Silveira, do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte