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[Artigo]Uma corda e um balde – Aristides L. Madureira, Pastoral Arquidiocesana do Dízimo de BH

Algumas pessoas ficam surpresas quando digo, em minhas pregações, que o Dízimo transcende as questões financeiras. Ele alcança um nível de intimidade com Deus que nos revela o Reino pela missão.

Vejamos a passagem bíblica em que Jesus se encontra com a Samaritana: Jo 4, 1-26
Jesus vai ao encontro de uma mulher desprezada pela sociedade de Samaria por ser prostituta. Aliás, ela vai ao meio dia, horário em que sabia não teria ninguém por lá, para não ser achincalhada por outras mulheres, que naquele horário estavam ocupadas com o almoço de suas famílias. Jesus a aborda dizendo: Dá-me de beber.

Ela fica surpresa com a abordagem, pois não era próprio a um judeu conversar com uma mulher de Samaria, conhecida como cidade da idolatria. Pior ainda, conversar com alguém que tivesse aquela reputação. Tanto que, imagino eu, ela deve ter pensado: este homem não sabe com quem está falando. Mas Jesus demonstrou saber quem era ela ao dizer: busca teu marido…

O que poderia essa mulher oferecer a Jesus? Apesar de todo seu poder, Jesus em sua misericórdia se faz frágil e diz precisar dela. Ele dá dignidade àquela mulher, mesmo em sua realidade inadequada aos padrões. A água está muito funda no poço e Ele não a pode alcançar, mas a samaritana trazia consigo uma corda e um balde.

Conhecemos bem o que acontece a seguir. Eles travam um diálogo próprio de um encontro com Cristo. Ela dá a Jesus a possibilidade de matar sua sede. Ele, dá à samaritana a oportunidade de beber de uma água viva, da qual jamais terá sede. O que acontece depois é maravilhoso. A mulher, que fugia do convívio com a sociedade, desce aos gritos, anunciando pelas ruas e praças, sobre o seu encontro com o messias.

Pois bem. O que pode Deus precisar de cada um de nós? Ele é Senhor de tudo e de todos. Cada um de nós, como a samaritana, carrega consigo suas vergonhas e seus pecados. Ao oferecermos nosso dízimo a Deus, estamos oferecendo nossa corda e nosso balde. O que ganhamos com isso? Primeiro, somos dignificados por Deus por vir ao nosso encontro, depois, pelo desejo d’Ele de que participemos de seu projeto de amor, ao qual nos convida, nos amando.

A contribuição que fazemos em nossas comunidades nos liberta e, ao mesmo tempo, desperta em nós o desejo de anunciar a todos o poder que essa experiência promove. Que maravilha que em nossa miséria humana, tenhamos conosco ao menos uma corda e um balde a oferecer.

 

Aristides Luís Madureira integra Pastoral Arquidiocesana do Dízimo de BH.
É autor de várias obras, dentre elas, A novena do dizimista, Dízimo mirim, Dízimo e as obras de misericórdia, publicados pela Editora A Partilha .