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[Artigo] Que caminhos percorrer com nossos catequizandos adultos – Neuza Silveira de Souza (Catequista)

 Nós, cristãos, adquirimos a identidade de cristão quando somos batizados. O Batismo é a porta de entrada para essa pertença em Cristo. Seguimos o caminho de batizados; dizemo-nos cristãos, mas, muitas vezes, não sabemos o que isso significa. É fazendo o caminho que podemos – ou não – descobrir que Deus é a Boa Notícia, aquela capaz de colocar alegria na vida.

Para nós cristãos, o caminho é Jesus Cristo: a Palavra de Deus encarnada; o Pão que alimenta e fortalece na caminhada. A vida cristã nos convoca a uma experiência autêntica de adesão à pessoa de Jesus Cristo. Somos chamados a fazer uma adesão pessoal a Jesus Cristo e a viver em comunidades. Nelas, crescemos e amadurecemos na fé.

Mas, para que aconteça a experiência, necessário se faz estarmos atentos aos acontecimentos e fatos da vida, lugares onde se pode perceber a presença de Deus e, verdadeiramente, experimentar o que Ele faz a gente viver; realizar nossas tarefas cotidianas com mais confiança; quando puder sentir que dEle provém forças para enfrentar os problemas e desafios da vida sem se oprimir, quando sentir que realmente o nosso perdão ofertado ao irmão foi verdadeiro e também fomos perdoados verdadeiramente. Assim caminhamos em paz.

O caminho se realiza no seguimento do Cristo Ressuscitado. Como saber que caminho é esse? Conhecendo a caminhada do próprio Jesus. O objetivo é trabalhar para a realização do Reino de Deus. Nesse sentido, no caminho da busca, acontece o nosso propósito: promover a paz, a justiça e a solidariedade, no desejo de que todas as pessoas vivam mais felizes. O diálogo que se produz na caminhada se torna possível porque a caminhada acontece quando a realiza testemunhando o amor de Jesus Cristo, o rosto de Deus nEle revelado e os valores do Reino. Todo diálogo é uma aventura se permitimos que ele aconteça nas diferentes perspectivas, respeitando os peregrinos, suas histórias e suas culturas. Ao viver e praticar o amor, este revela o Deus de Jesus Cristo e o coloca como ingrediente básico para a construção de seu Reino.

E como experimentar a beleza da revelação de Deus?

É no caminho que as descobertas acontecem. Nele, aprendemos e reconhecemos ser de suma importância a Sagrada Escritura que nos convida a fomentar aquele amor suave e forte pela sagrada Escritura. Os ritos litúrgicos são oferecidos para testemunhar a beleza da vida doada no Cristo. O cristão é convidado a experimentar a Palavra nas celebrações litúrgicas, nos momentos orantes, na prática dos círculos bíblicos. Deus sempre presente se manifesta e deixa refletir algo de sua inesgotável beleza.

Desde o início do cristianismo, as comunidades cristãs, pelo anúncio entusiasmado e fervoroso da Palavra de Deus, foram contagiando novos membros e ganhando de Deus a confirmação na missão: “Eles eram perseverantes em ouvir os ensinamentos dos apóstolos. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, a cada dia, o Senhor acrescentava a seu número mais pessoas que eram salvas” (At 2, 42.47). Daí, a importância da atualidade dos círculos bíblicos, contribuindo assim, para a leitura e a vivência da fé, hoje.

Do ponto de vista da Iniciação à Vida Cristã e da ação evangelizadora, é importante acentuar a centralidade da Palavra de Deus, na vida e na missão da Igreja. Faz-se necessário priorizar uma Animação Bíblica Catequética da Pastoral, tarefa que se abre para os novos tempos e responder com eficácia aos desafios do momento.

Na beleza da prática litúrgica, Deus fala ao seu povo e Cristo, ainda hoje, anuncia seu Evangelho, nos recorda o documento SC, n. 33. Este anúncio, fruto eficaz produzido nas liturgias, tem como consequência não só uma finalidade litúrgica, mas a recuperação de séculos de história, colocando a Palavra, na liturgia, como o memorial do Cristo, e em fidelidade à antiga praxe eclesial: “Faça isso em minha memória”.

Estas pequenas reflexões sobre os documentos da Igreja são para nós suficientes para compreender como a nossa Igreja se coloca, hoje, diante da Palavra. Que ela, a Igreja, possa fazer chegar a todos os povos a mensagem  da Palavra  encontrada nos textos bíblicos e exprimi-la na linguagem apropriada à nossa época, pois a Bíblia nasceu dentro da história de um povo escolhido por Deus para ser o comunicador de suas mensagens para todos os povos, em situações e várias culturas.

A catequese ajuda na preparação para uma boa leitura bíblica e não se pode esquecer de que a “inspiração” vem do Espírito Santo. O que aprendemos da Palavra de Deus deve fazer ressonância com a mensagem do grande projeto de Deus para a humanidade.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte