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[Artigo] Partir e repartir o pão (Lc 21, 13-35) – Aristides L. Madureira, missionário leigo, atuante na implantação da Pastoral do Dízimo

Dizimistas na edificação da Igreja e na transformação social

A prática do dízimo, por sua riqueza espiritual, não pode e não deve ser reduzida a uma simples forma de alocação de recursos no ambiente eclesial. Ela transcende a esfera financeira e alcança níveis profundos do ser Igreja. A cena bíblica dos discípulos de Emaús à mesa com Jesus, no ato de partir e repartir o pão, e todo o enredo que a evolve, expressa o mais amplo sentido e significado da partilha vivida pelos dizimistas em nossas paróquias e ilumina nossa reflexão.

Os discípulos de Emaús tiveram oportunidade de conhecer Jesus, sua maneira de pensar e agir, viveram com Ele seus feitos e Nele depositaram todas as suas esperanças. Essa foi a razão de o ressuscitado os ter encontrado tão abatidos após sua morte. A tristeza era tanta, que não reconheceram sua presença ao longo do caminho. Eram homens convertidos à proposta de vida do Mestre Jesus, mas abatidos. O que fez o ressuscitado? Animou-os pela Palavra. Recordou com eles o que estava previsto acontecer segundo a Sagrada Escritura.

No entanto, foi no momento em que Jesus parte e reparte o pão que seus olhos se abrem, permitindo-lhes reconhecer e entender o que se passava. Jesus ressuscitou, aleluia! Ressurge a esperança. A promessa se cumpre e eles se tornam testemunhas dela. Tal notícia não podia ser represada. Tamanha alegria precisava ser anunciada. Um horizonte de novíssimas possibilidades se descortinava. Nascia a Igreja de Cristo à luz de um itinerário próprio: o encontro, o diálogo, conhecer Jesus, entender a revelação, anunciar e testemunhar. (Doc. 107, Iniciação à Vida Cristã)

Dois mil anos se passaram, a verdade e os mistérios revelados vividos em Emaús rasgam o tempo e nos encontram. A Igreja permanece fiel às suas origens, e pelo batismo nos tornamos os atuais discípulos de Jesus. A Sagrada Escritura, vigorosa e atual, continua a ser alimento para nossa fé. Sentamo-nos com o Mestre a cada celebração e com Ele fazemos comunhão. Renovamos nossa aliança, fortalecemos nossa esperança, e por ele somos enviados à missão. A eucaristia é, para nós, fonte de vida e missão.

A prática do dízimo reúne todos esses elementos: o encontro, a revelação, a conversão, a partilha, a evangelização e a celebração. A prática saudável e consciente da partilha, experimentada através do dízimo, tem sua origem na conversão. Esta, por sua vez, só se faz a partir do encontro com Jesus Cristo, que ressuscitado vive e caminha conosco. A decisão de se tornar dizimista se associa à nossa adesão ao projeto de Deus, e nos torna partícipes da missão evangelizadora, que se desvela nas dimensões religiosa, eclesial, sócio caritativa e missionária. Somos os discípulos missionários. Pela partilha consciente edificamos a Igreja e transformamos a sociedade.

Em uma sociedade de fisionomia sulcada pelo pecado não raro encontramos discípulos abatidos e desanimados. Cegos e surdos à vontade de Deus. Pessoas convertidas, cristãos atuantes na azienda pastoral, que já não conseguem perceber a presença do Mestre. A tristeza e a desesperança não permitem reconhecer a voz do Bom Pastor em meio a tantas vozes. A todos aqueles que se encontram nesta situação, testemunho que de quando em vez, por uma razão ou outra também me apercebo abatido, e revigoro minhas esperanças no poder revelador da Eucaristia. Pois nela confirmo minhas convicções e os benefícios da partilha.

Pastoral do Dízimo

É missão da Igreja e de modo muito particular, deve ser assumida pela pastoral do Dízimo, a promoção do encontro entre as pessoas e o acontecimento Jesus de Nazaré. A pastoral não pode reduzir suas ações ao plantão do dízimo, é preciso criar meios de caminhar com as pessoas e a elas anunciar o santo Evangelho. Não tenhamos medo de falar sobre o dizimo, ele é partilha reveladora aos olhos da fé. É comunhão com Deus. É expressão de vivência comunitária responsável. É direito de todo cristão.

Aristides Luis Madureira
Missionário leigo, atuante na implantação da pastoral do Dízimo há mais de 25 anos. Autor de várias obras, dentre elas destacam-se: Partilhando a Vida em Família – Dízimo em 30 Segundos – Pastoral da Partilha, manutenção – Novena do dizimista.