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[Artigo] O auxílio emergencial aos mais pobres – Padre Júlio Amaral, vigário episcopal para a Ação Social

Celebramos a aprovação,  pela Câmara dos Deputados, do projeto que prevê auxílio emergencial para as pessoas que ficarem sem renda neste contexto desafiador do Coronavírus,reforçando a proteção a todos,  iniciada com as necessárias medidas indicadas pelo Ministério da Saúde e iniciativas de governadores e prefeitos.

Esta pandemia traz inquietações e reflexões de suma importância. Toda crise nos ajuda a repensarmos uma série de coisas. Destaco duas grandes lições sobre a vida e a economia. Somos todos iguais, na mesma casa comum, estando interligados. O vírus nos coloca numa condição de igualdade, não escolhe raça, nacionalidade, condição social. Todos ricos e pobres somos afetados direta ou indiretamente.

A economia defendida pelo ensino social da igreja deve estar a serviço da vida. Está ligada ao social e à própria vida. Não é a vida a serviço da economia. Precisamos continuar produzindo alimentos, medicamentos, ter condições de transportar esses bens, que são relacionados com a vida. Mas dentro de uma nova maneira de viver, necessária agora, capaz de preservar a vida como o ponto mais importante. Não adianta ter dinheiro, emprego, bens e não ter a vida. E a vida é o primeiro e o mais importante direito de todos e não somente de algumas pessoas ou classes privilegiadas.

Nesse sentido o auxílio emergencial é urgente e fundamental para que pessoas desamparadas em razão da crise atual tenham condições de sobreviver. Agora, se faz urgente a aprovação dessa medida pelo senado. Também precisaremos de orientações práticas e acessíveis para as pessoas, o mais rápido possível e sem burocracia, terem acesso a este auxílio emergencial.

Uma última questão. O auxílio prevê atender pessoas desempregadas, trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores individuais. É preciso verificar e cuidar para nenhuma pessoa necessitada ficar sem o auxílio emergencial. Ter um olhar atento, compassivo e cuidadoso para com todos os que estão caídos à beira dos caminhos e ruas, conforme nos lembra a Campanha da Fraternidade deste ano, inspirada na parábola do bom samaritano (Lc 10, 25 – 37).

Padre Júlio César Gonçalves Amaral

Vigário episcopal para a Ação Social, Política e Meio ambiente