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[Artigo] Nossa experiência de Deus -Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Deus caminha conosco. Ele segue nossos passos. Nós o buscamos e Ele também nos busca. Procura se aproximar de nós por meio de uma fresta que mantemos sempre aberta em nós. Aberta ao verdadeiro, ao bom, ao belo, ao humano. Esta fresta faz parte da natureza humana. Precisamos estar atentos a ela para perceber o mistério que pulsa em nossa vida, um mistério que vem da própria criação, um ser criado do nada de Deus, do vazio de Deus que é preenchido por nós e nos dá existência ao mundo.

Muitos irão se encontrar com Deus, através das trilhas transversais da caminhada, quando percebem a presença do outro, o acolhimento, a oração humilde e o perdão.

O exemplo a seguir, para nós cristãos, é Jesus Cristo. Ele representa a primeira imagem sadia de Deus na história. Suas atitudes são de quem acredita no Pai e traz consigo a certeza do Deus que existe para o ser humano. Uma atitude missionária que inicia para nós com seu batismo no Rio Jordão. Olhando para o Evangelho de Marcos, ele narra o batismo de Jesus no Jordão sugerindo a nova experiência que Jesus viverá e comunicará ao longo de sua vida.
De acordo com o relato, o “céu se abre” é para que de lá desça o Espírito de Deus que vem ungi-lo, tocá-lo e dizer que o reconhece como o Filho muito amado.

A imagem do batismo de Jesus que representa para nós a imagem de Deus na história é a mesma imagem que pode ser vista através da fé, no dia do nosso batismo. Também quando somos batizados, o “céu se abre” e de lá vem a voz de Deus que nos acolhe como Filho bem amado, vem pousar em nosso coração e caminhar conosco. Vem nos possibilitar a comunicar o seu Reino que, com cada batizado se torna mais próximo, pois Deus deseja contar com cada um para construir junto a nós uma vida mais humana.

Para todos os batizados Deus apresenta o seu projeto do Reino. Temos a tarefa de conhecer melhor Jesus, descobrir seu objetivo de vida, a causa à qual se dedicou de corpo e alma. Jesus veio nos mostrar a forma como Deus reina no mundo: Ele age com humildade, solidariedade, compaixão, fraternidade e paz. Quando se reina assim, a humanidade progride em justiça. Jesus também agiu assim. Sua pedagogia utilizada conosco aqui foi a mesma pedagogia de Deus. E nós também somos convidados a agir e viver como Jesus agiu e nos ensinou a viver. Seus ensinamentos são todos voltados para nos ajudar a construir um mundo mais humano.

É importante parar para refletir: Como estamos vivendo a nossa vida de fé? Estamos trabalhando para a construção de um mundo mais humano?

Vamos olhar ao nosso redor, olhar para as nossas crianças e adolescentes. Eles são capazes de levar um compromisso sério de serem multiplicadores da Palavra. Anunciar o Reino como Jesus fez, mas precisam de ajuda dos mais experientes, ou seja, aqueles que irão acompanhá-los em seu crescimento integral como pessoas, pois a Igreja os prioriza como um importante desafio para o presente e o futuro. Para efetivar esse projeto, a Igreja também convoca os adultos para um aprofundamento da fé, ou seja, para reaprender percorrer os caminhos de Jesus nos dias de hoje, dias difíceis e de grandes mudanças transformadoras que trazem exigências de um novo jeito de pensar, novas mentalidades, novas motivações que geram espaços para vivências de fé. Espera que esses adultos, respondendo às vocações, tornem-se instrumentos nas mãos de Deus para juntos, caminharem com os adolescentes e jovens rumo a uma maturidade na fé. Que toso possam direcionar seus olhares para a vida assim como Jesus a olhava. Jesus pensava numa sociedade estruturada de maneira justa e digna para todos. Essa é a única forma de sentir as coisas como ele as sentia, um único modo de agir como ele agia.

Pelo batismo somos convidados a sermos seguidores de Jesus. Sejamos profetas itinerantes, assim como ele foi: viver abrindo caminhos para o reino de Deus, lembrando que para ser discípulo de Jesus não é tanto aprender doutrinas, mas segui-lo, fazendo experiências de vida como ele fez. Crer mais na sua presença viva no meio de nós, escutar de dentro de nós o seu chamado e reavivar nossa adesão pessoal a ele.

Vamos juntos, levando conosco os adolescentes do nosso tempo, pois com eles temos o tempo apropriado para deixar-se desabrochar em nós novas personalidades e reconstruir nossa identidade de fé.

 

 

 

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte