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[Artigo] Natal: a grande festa de fé e vida – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Falar sobre a interação fé e vida é buscar na ação catequética a mútua influência entre o anúncio da boa nova e/ou formulações da fé em Cristo e a vida concreta dos catequizandos. A fé é considerada uma luz que ilumina e dá sentido à vida, portanto, entre fé e vida, entre Eu e Cristo, deve haver uma integração.

Nesse sentido, integrando nossa vida à vida do Cristo caminhamos nesse tempo de Advento, na expectativa da vinda do Senhor. Um tempo não somente para lembrar, mas para viver, pois o que se espera, acontecerá. As profecias prometidas alimentaram o povo de Israel durante vários séculos e se tornaram realidade no nosso tempo. A esperança que animou o povo da Aliança realiza-se diante de uma realidade concreta e atual.

Celebramos nesses dias próximos a importância das mulheres grávidas representadas pela mãe de João Batista e Pela mãe de Jesus. A importância delas está em colocar-se a serviço do Amor de Deus, levando em suas entranhas não apenas os filhos que geraram, mas o amor de Deus, que as transcende e as envolve, fazendo delas servidoras da vida. Ao Zacarias, o anjo Gabriel comunicou a gravidez de Isabel, sua esposa, dizendo-lhe que seu filho chamaria João; Maria ficou sabendo pelo anjo do filho de Isabel e as duas tornaram-se as enviadas de Deus para trazer ao mundo, primeiro aquele que iria preparar o caminho do Senhor e, logo depois a chegada do messias esperado.

A esperança de Israel se concretiza na esperança da Igreja que se realiza em Cristo, mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Cristo é a nossa esperança, a luz das nações e enquanto permanecemos aqui, em seu Reino, fazemos a festa da sua primeira vinda.

Jesus sempre esteve bem próximo das pessoas, a ponto de identificar-se com elas. Como servo sofredor, ele tomou sobre si nossas dores (Is 15,34), assumiu nossas enfermidades espirituais e corporais até o extremo da morte na cruz, para nos oferecer o remédio que cura, restaura e concede vida nova, isto é, a ressurreição.

A partir de sua ressurreição, a cada ano celebramos sua vida que renasce em cada um de nós, e assim, renovamos nossa fé. A cada ano renovamos nossas esperanças de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições. É a nossa vida na vida do Cristo.

O Natal é o tempo do amor. Tempo de fazermos uma parada, acalmar nosso interior e renová-lo no amor de Cristo. É um tempo de preparação nas nossas próprias vidas, tempo de mergulhar em nosso interior, deixar que o Espírito de Deus venha sobre nós, que ele possa agir em nós, e assim como Jesus, compreendermos que também nós nascemos nesse mundo como enviados de Deus para fazer a vontade do Pai.

Interação fé e vida

É nesse sentido que podemos falar do princípio de interação fé e vida. Para além das nossas motivações pastorais e pedagógicas, trabalhos que nos propomos a realizar para a construção do Reino de Deus, a fé traz consigo as motivações teológicas.

É com Jesus, que veio nos revelar o amor do Pai, que tomamos consciência de que a auto-comunicação de Deus aos homens realizou-se por dentro da vivência humana, pessoal e comunitária do povo de Israel e dos primeiros cristãos. A própria pessoa do Verbo de Deus, para realizar o desígnio da salvação, encarnou-se, tomou forma humana, assumiu a nossa história.
Compreendendo o sentido do nascimento do menino-Deus que nasce no meio de nós: O Verbo encarnou-se e assumiu a nossa história, podemos compreender que:

•Da parte de Deus, ele manifesta hoje, como na revelação bíblica, bem por dentro de nossa realidade, de nossa vida. Essa compreensão nos leva a refletir que a Palavra de Deus anunciada hoje, na catequese, também deve estar bem por dentro da nossa história. O fundamento para descobrir a presença de Deus agindo hoje em nossa história é sempre revelação divina contida na Bíblia e lida não só com o coração da Igreja (CR 86), mas também a partir da nossa existência (CR 176).

•Da parte do homem significa que a fé, uma vez aceita como resposta à Palavra de Deus, deve iluminar a vida e, à sua luz, devem ser resolvidos os problemas existenciais tanto em nível pessoal quanto social, ou seja, deve ser uma fé transformadora.

Uma fé transformadora porque a catequese possibilita uma interação entre a fé a vida que leva a um relacionamento eficaz e produtivo. A força da Palavra de Deus e da fé, diante das realidades pessoais e sociais produz frutos de crescimento pessoal e comunitário, individual e social. Nesse sentido ocorrerá uma verdadeira experiência de Deus.

Falando de “Encarnação”, mistério da nossa fé, nos faz olhar para o hoje do nosso chão, da nossa realidade e de bem nos prepararmos para a espera daquele que “veio”, vem e virá para sempre em nossos corações, o Jesus que é o mesmo de ontem, hoje e sempre (Hb 13,8).

O grande desinteresse que se percebe hoje, do homem sobre Deus, causa dano à apresentação de Jesus Cristo, porque arrancada da terra mãe de Deus, torna-se impossível conhecer e penetrar seu mistério.

Que neste ano, e cada ano vindouro, possamos celebrar a festa do nascimento de Cristo em Belém da Judéia, no dia 25 de dezembro, uma festa já pensada desde o princípio para ajudar os fiéis a saírem de suas celebrações idolátricas. Uma festa que vem suplantar o culto ao sol, símbolo da luta pagã contra o cristianismo. Cristo é o verdadeiro sol que apareceu com sua luz brilhante para iluminar o mundo e nos ensinar a viver no Reino de Deus. Encarnou-se e nos remiu de todo o pecado do mundo.

Com a participação ativa nas celebrações do Natal vamos constituindo o tempo da atuação das promessas feitas. Compreendendo o que nos é revelado no Natal, esse Deus

que se faz um de nós e nos convocam a amar a todos assim como ele nos ama. Somos chamados a tomar atitudes, renascer para novo jeito de amar, de acolher, de olhar para as realidades presentes e colaborar para que aconteça o amor, a justiça e a solidariedade entre todos.

Este é o sentido de celebrar o natal. A cada ano, ajustar a nossa vida à proposta de Jesus. Fazer uma avaliação da caminhada de fé e retomar o caminho. Que como Maria, possamos dizer: “A minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito se alegra em Deus, meu salvador” (Lc 1,47).

Que neste Natal Jesus nasça no coração de todas as pessoas. Ele que se aproxima de nós na mansidão de uma criança, também se aconchega no coração das crianças, dos jovens, futuro da nossa Igreja, e de toda a humanidade. Basta dizer SIM.

Que o Natal seja verdadeiramente uma data, uma festa para comemorarmos o aniversário da presença constante de Jesus nos nossos corações. Ele é merecedor de toda nossa honra e glória. Que possamos a cada dia deixá-lo se manifestar através de nossas atitudes e ações. Vamos brindar com o aniversariante e se alegrar com ele unindo-nos uns aos outros, acolhendo e partilhando vidas.

Fortalecidos no Espírito missionário, sejamos todos anunciadores de sua mensagem.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte