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[Artigo]– Fazendo memória dos caminhos do Cristianismo – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Origem do Cristianismo

Cristianismo (do grego Xριστός, “Cristo”) é uma religião monoteísta centrada na vida e nos ensinamentos de Jesus de Nazaré, tais como são apresentados no Novo Testamento. Os cristãos chamam a mensagem de Jesus Cristo de Evangelho (“Boas Novas”), e por isto referem-se aos primeiros relatos de seu ministério como Evangelhos.  A fé cristã acredita essencialmente em Jesus como o Cristo, Filho de Deus, Salvador e Senhor.

Os primeiros cristãos das primeiras comunidades sentiam-se, antes de tudo, seguidores de Jesus. Para eles, crer em Jesus Cristo é enveredar pelos caminhos que ele fez. Esse caminho refere-se a um percurso que vai sendo feito, passo a passo, ao longo de toda a vida.

Mas quem é esse Jesus Cristo que eles seguiam?

As primeiras comunidades o conhecera. Caminharam com ele e assim como os discípulos de Emaús, só se deram conta de quem era Ele, despois escutá-lo, de ouvir as explicações das Escrituras e de vivenciar com ele o gesto da partilha do pão. No percurso do caminho fizeram a experiência do caminhar: aprenderam a perdoar, a partilhar, a perseverar, a viver a gratidão, a alegria, a compaixão, a felicidade, a escuta do desejo.

Nessa escuta se descobre, exercita sua paciência, se revela, vive o mistério. Deixando-se permear pelo mistério, vai descobrindo as perguntas que surgem como formas de nos situarmos no tempo em que vivemos e impulcionar o nosso olhar para enxergar os arredores do nosso habitat, a acolher as perguntas e nos posicionarmos para o acontecimento de uma relação dialógica, ou seja, uma relação que gera aproximação, coloca-se olho no olho, sem mediações, sem distanciamentos das realidades visíveis. É um colocar-se diante do outro em uma atitude de respeito, de presença sem preconceitos, sabedor que desse diálogo surge o objetivo do conhecer, de apreender ou captar algo, pois o outro tem sempre algo a oferecer.

Assim Jesus caminhava, aproximava, dialogava, ensinava, avançava sem pressa gastando tempo com as pessoas gerando memórias possíveis de permanecer e reconstruir o aprendizado. Assim foram gestadas as primeiras comunidades que conseguiram levar adiante os ensinamentos de Jesus. Muitos daqueles que com Ele caminharam conheciam as leis judaicas, as profecias e, segundo a religião judaica, o Messias, um descendente do Rei Davi iria um dia aparecer e restaurar o Reino de Israel. Com Jesus eles foram capazes de reaprender, reconstruir e continuar o caminho se constituindo testemunhas de sua vida.

Quais eram os ensinamentos de Jesus?

Na Palestina, por volta de 26 d.C., Jesus Cristo, nascido na cidade de Belém, na Galiléia começou a pregar um novo jeito de viver as leis judaicas. Ele ensinava que devia amar a todos como irmãos, que deveriam incluir os marginalizados, deveriam cuidar dos pobres e das viúvas e com seus ensinamentos começou a atrair seguidores, sendo aclamado por alguns como o Messias. Jesus foi rejeitado, tido por apóstata pelas autoridades judaicas. Foi condenado por blasfêmia e executado pelos romanos como um líder rebelde. Seus seguidores enfrentaram dura oposição político-religiosa, tendo sido perseguidos e martirizados, pelos líderes religiosos judeus, e, mais tarde, pelo Estado Romano.

Com a morte e ressurreição de Jesus, os Apóstolos, principais testemunhas da sua vida, reuniram-se numa comunidade religiosa composta essencialmente por judeus e centrada na cidade de Jerusalém. Esta comunidade praticava a comunhão dos bens, celebrava a “partilha do pão” em memória da última refeição tomada por Jesus e administrava o batismo aos novos convertidos. Podemos aqui, fazer uma visitação ao texto bíblico, Atos dos Apóstolos, em 2,42ss. Esse texto nos fala da experiência dos Apóstolos e como eles mostravam-se assíduos ao Templo e partiam o pão pelas casas, tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo.

Pode-se dizer que aqueles caminhantes com Jesus foram, um a um, uma obra do outro, ou seja, um resultado de experimentos de encontros, de gestos, boas vontades, afetos, etc.

Aqueles que conseguiram colher inspiração e sentido de vida, ao partir de Jerusalém, foram pregar a nova mensagem, anunciando a todos a novidade que aprrenderam da convivência com Jesus. Assim, Filipe prega aos Samaritanos, o eunuco da rainha da Etiópia é baptizado, bem como o centurião Cornélio. Em Antioquia, os discípulos abordam pela primeira vez os pagãos e passam a ser conhecidos como cristãos.

Paulo de Tarso não se contava entre os apóstolos originais, ele era um judeu fariseu que perseguiu inicialmente os primeiros cristãos. No entanto, ele tornou-se depois um cristão e um dos seus maiores, senão o maior missionário depois de Jesus Cristo. Boa parte do Novo Testamento nos fala desses ensinamentos. Lá encontramos as epístolas que foram escritas por ele (a primeira Carta aos Tessalonicenses, a Primeira e segunda Carta aos Coríntios, Filipenses, Gálatas, Romanos e Filemon). As outras foram escritas por seus cooperadores. Paulo afirmou que a salvação dependia da fé em Cristo. Entre os anos 44 e 58 ele fez três grandes viagens missionárias que levaram a nova doutrina aos gentios e judeus da Ásia Menor e de vários pontos da Europa, entre eles Roma.

Depois dos escritos Paulinos iniciam-se os escritos dos Evangelhos. Os relatos dos Evangelhos que nos são oferecidos pelos evangelistas, são para nós obra Prima, assim como o foi para as comunidades primeiras que deram seguimento ao Cristianismo. Para os seguidores de Jesus, os Evangelhos não são livros didáticos que expõem uma doutrina sobre Jesus, nem tão pouco, uma biografia de sua vida, mas são relatos que nos aproximam de Jesus tal como ele era recordado com fé e amor pelas primeiras gerações cristãs.

Na época, a visão de mundo monoteísta do judaísmo era atrativa para alguns dos cidadãos do mundo romano, mas costumes como a circuncisão, as regras de alimentação incômodas, e a forte identificação dos judeus como um grupo étnico (e não apenas religioso) funcionavam como barreiras dificultando a conversão dos homens. Através da influência de Paulo, que provocou uma assembleia para resolver as barreiras e os conflitos gerados com a nova vivência da lei, o Cristianismo expandiu-se. Podemos dizer que o cristianismo simplificou os costumes judaicos aos quais os gentios não se habituavam enquanto manteve os motivos de atração. Alguns autores defendem que essa mudança pode ter sido um dos grandes motivos da rápida expansão do cristianismo.

E Hoje? Quais são os conflitos que impedem o caminhar do Cristianismo? E em nossa Arquidiocese? Quais as expectativas das Assembleias da VI APD? Como ajudar a caminhada da nossa Igreja particular? Vamos expandir o nosso olhar, vamos semear, vamos construindo testemunhas no tempo, partilhando a Palavra, se deixando guiar pela sobra do Senhor. Fazendo-se, pacientemente, pode-se sentir a alegria de ver a semente da vida florir.