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[Artigo] Catequista: dom, graça e missão – Dom Otacílio F. de Lacerda, bispo auxiliar da Arquidiocese de BH

Ser catequista é uma graça divina e, para bom êxito, exige formação permanente à luz da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja, pois tão somente assim teremos a renovação da Catequese com fecundos resultados alcançados.

É preciso pensar em um processo de formação dos discípulos missionários, com etapas que se interligam e que se renovam num círculo ininterrupto: encontro, conversão; discipulado, comunhão e missão.

A catequese, portanto, não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas uma verdadeira escola de formação integral, com o cultivo da amizade com Cristo na oração, no apreço pela Celebração Litúrgica, na experiência comunitária e o compromisso apostólico mediante um permanente serviço aos demais.

O encontro com Jesus implica em atitude de permanente conversão, para um discipulado credível e concretizado na comunhão e missão.

Como as primeiras comunidades cristãs (cf. At 2,42-47), intensificar os encontros para partilhar do Pão da Palavra e da Eucaristia, e perseverar na catequese, na vida sacramental, na comunhão fraterna, na oração e na prática da caridade.

Na Igreja, muitas são as pessoas que se sentem chamadas a se fazer catequistas, com grande entrega, numa doação alegre, e, como discípulos, se põem em permanente caminho, pois ser discípulo é dom destinado a crescer.

Deste modo, a Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica e o compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI), no mínimo, são os livros de cabeceira de todo o catequista.

Seja para crianças, jovens ou adultos, a Catequese precisa ser atrativa, introduzindo os catequizandos no conhecimento do Mistério de Cristo, mostrando a eles a beleza da Eucaristia dominical, que os leva a descobrir o Cristo vivo e o Mistério fascinante da Igreja: “A Eucaristia é o centro e o vértice da vida da Igreja” Isto significa que “a Eucaristia edifica a Igreja e que a Igreja faz a Eucaristia” (Papa São João Paulo II).

Uma catequese renovada pressupõe a coerência e relação necessária entre fé e vida, no âmbito político, econômico e social; exige a formação da consciência, que se traduz no conhecimento da DSI, pois como nos falou o então Papa Bento XVI – “a vida cristã não se expressa somente nas virtudes pessoais, mas também nas virtudes sociais e políticas”. (DAp. n. 505).

O Catequista deve nutrir um terno amor à Virgem Maria, a “educadora da fé”, assemelhando-se cada vez mais a Jesus, com a apropriação progressiva de suas atitudes:

“Haja entre vós o mesmo sentir e pensar que no Cristo Jesus. Ele existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus” (Fl 2, 5-6).

Concluindo, ofereço uma singela homenagem a todos os catequistas de nossas comunidades.
Ser Catequista:

É ter um encontro pessoal com Cristo e senti-Lo junto de si como luz que aquece o coração e impulsiona o nosso viver ao encontro do irmão, com o desejo de deixá-Lo transparecer na singeleza de um sorriso, na troca de um olhar, num aperto de mão;

É sentir o coração arder pela Palavra e não se caber de contentamento ao transmiti-la às crianças, aos jovens e a tantos adultos que possam cruzar o seu caminho, transformando-a em uma fonte cristalina, que sacia os sedentos, numa transformação profunda de fé;

É dar testemunho de confiança no Amor de Deus revelado em Seu Filho Ressuscitado e presente na Eucaristia, que sustenta e faz crescer a esperança de que é possível chegar a um mundo harmonioso, na fidelidade aos Seus ensinamentos;

É não perder de vista a vida missionária, comunicando luz em qualquer escuridão, entendendo que cada ser humano foi criado para vida plena e bela, num incessante exercício de Oração, confiança e esperança;

É viver a disponibilidade, acreditando que Deus não escolhe os instruídos, mas instrui e prepara os escolhidos;

É não ter medo e, assim como Maria que, na sua simplicidade, aceitou fazer parte dos Planos de Deus, trazendo ao mundo o Seu Filho, ter coragem e determinação de anunciar o Filho de Deus.

Glorifiquemos a Deus por todos os Catequistas, que não medem esforços para anunciar o Evangelho, lembrando, de modo especial, aqueles que, tendo combatido o bom combate da fé, encontram-se na glória de Deus.

 

 

 

 

Dom Otacílio Ferreira de Lacerda
Bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte