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[Artigo] A Bíblia deve ser estudada (2)- Neuza Silveira,  Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Falar sobre a Bíblia, sua composição no decorrer dos tempos, descobrir nos textos bíblicos os vários tipos de literatura: romances, poesias, contos de fadas, lendas, livros de história e de ciência , parábolas cantos e orações, profecias, tudo isso nos encanta, chama a atenção para  várias descobertas e modos de vida. Esses livros, apresentados na sua diversidade, nos mostra que não devem ser lidos da mesma maneira, pois há muitos estilos diferentes.

Sabemos que a Bíblia é Palavra de Deus, escrita por mãos humanas, numa linguagem humana e que relata a experiência de Deus feita pelo povo de Israel, pelo povo judeu e pelo povo cristão A experiência de Deus se deu através dos seus sinais: a natureza, as pessoas, os acontecimentos Esse povo via e interpretava os sinais de Deus com os olhos da fé.  E todas as suas experiências foram relatadas a seus filhos, de geração em geração, mantendo viva a Aliança de amor que Deus fez com seu povo.

Foi passando os ensinamentos bíblicos para seus filhos que eles foram descobrindo Deus em tudo.  Assim, eles puderam perceber que os acontecimentos nos fatos da vida, mostravam a presença libertadora d Deus; as leis manifestavam a vontade de Deus na vida de cada um e foram possíveis a eles perceberem o Deus criador na beleza da natureza.

Para nós cristãos, depois de longo caminho percorrido pela Igreja e como Igreja, caminho esse conhecido como tradição, também vamos fazendo juntos a experiência de Deus, no nosso caminhar.

Desde o início de caminhada das primeiras comunidades cristãs, os apóstolos, conforme ordenara Jesus e os encaminhara em missão,  faziam o anúncio da Palavra, fazendo chegar até o povo os ensinamentos de Jesus, o chamado de conversão e o pedido de batizar em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, como podemos ler em (Mateus 28, versículos de 16 a 20).

Após a morte de Jesus, as celebrações litúrgicas eram lugar privilegiado para se fazer a memória de Jesus, de seus gestos e de suas palavras. Por muito tempo, na história da fé cristã, o que se foi aprendendo sobre a Bíblia era através da liturgia.

Hoje, a liturgia continua sendo o lugar privilegiado para ouvirmos a Palavra de Deus, participar comunitariamente, do Mistério Pascal de Cristo, ou seja, da paixão, morte e ressurreição de Jesus, tornando-nos membros ativos da vida do Cristo, através dos sacramentos.

Mas, a abertura e possibilidades de termos a Bíblia na mão, estuda-la procurando compreender os ensinamentos de jesus e de toda experiência do povo da Bíblia, nos ajuda na nossa vivência cristã. Assim, todos nós cristãos, somos convidados a volver nosso olhar para a origem desses escritos para compreende-los bem, dentro da sua realidade, e trazer esses ensinamentos para nossa vida.

Olhando primeiro, para o Novo Testamento, as memórias estabelecidas durante a vida de Jesus são chamadas de pré-pascais. Isto quer dizer que os livros de Mateus, Marcos, Lucas e João, os chamados de Evangelhos se referem à vida de Jesus, enquanto ele caminhou no meio do povo.

Para melhor entender, os Evangelhos foram escritos a partir dos anos 65, depois da morte de Jesus: O Evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito, mais ou menos entre os anos 65 a 70 do nosso tempo. Os Evangelhos de Mateus e Lucas foram escritos depois, por volta dos anos 80 a 90 do nosso tempo (Era cristã);  O Livro do Apocalipse (que quer dizer – Revelação – foi escrito, mais ou menos nos anos 95 e o Evangelho de São João, por volta dos anos 100. Vejamos que foi depois de passados, mais ou menos, 35 anos da morte de Jesus que iniciaram os escritos. Nesse período o povo foi fazendo sua experiência, aprendendo com os apóstolos e com a comunidade que iam se constituindo. Depois vieram os escritos.

Nos evangelhos, (Marcos, Mateus, Lucas e João), o conteúdo principal que eles trazem é sobre a humanidade de Jesus (encarnação), fala do seu convívio com as pessoas, o cuidados com as mulheres e crianças, o cuidado com os pobres e o anúncio do Reino, mostrando-nos o seu caminho; trazem os relatos sobre a ceia pascal que Jesus comemorou com seus discípulos, sua prisão, a paixão vivida e sua morte que aconteceu como consequência do seu amor libertador comprometido com os pobres e pequenos.

Nos escritos paulinos, temos Paulo e seus amigos que, ao escreverem suas mensagens conhecidas como “Evangelho” nos trazem ensinamentos da mensagem de Jesus que nos ajudam a compreender o Cristo pós-Pascal.

Para Paulo, o seu Evangelho é o anúncio da salvação pela morte e Ressurreição de Cristo, É o anuncio de Cristo pós-Pascal, isto é, após sua ressurreição.

O livro do Apocalipse, que quer dizer “revelação” vai nos contar os conflitos vividos pelos cristãos, numa época difícil para eles, que era de perseguição do Imperador Romano.

Neuza Silveira de Souza

Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano

Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.