Você está em:

Arquidiocese em Movimento: amor no enfrentamento da dependência química


A Pastoral da Sobriedade tem multiplicado suas ações na região Metropolitana de Belo Horizonte. “Estamos implementando um projeto piloto em várias paróquias”, diz a coordenadora da Pastoral da Sobriedade, Maria da Penha Martins. Criada em 2001, a Pastoral foi inspirada num desafio lançado por São João Paulo II, que dizia que não se recupera um toxicodependente sem o resgate dos valores humanos de amor à vida, iluminados pela fé, que dão significado à existência. Para isso, João Paulo II propôs a terapia do amor, que é a vivência de doze passos. Um caminho que os dependentes têm que seguir para conseguir superar o vício. Os passos são: Admitir, Confiar, Entregar, Arrepender-se, Renascer, Reparar, Professar a Fé, Orar e Vigiar, Servir, Celebrar e Festejar.
 

O objetivo da Pastoral é ajudar na prevenção e na recuperação de dependentes químicos e auxiliar no convívio com os familiares. São formados grupos de autoajuda que se reúnem semanalmente nas paróquias.    O projeto-piloto que está sendo instituído nas paróquias consiste em atuação em cinco frentes: prevenção, intervenção, recuperação, reinserção e atuação política. Para isso, vários voluntários estão sendo orientados com a metodologia do programa. “O mais importante é resgatar os dependentes, propondo uma mudança de vida por meio da conversão”, explica a coordenadora. O programa também atende familiares de dependentes, que são denominados codependentes.
 

As ações da Pastoral também têm sido realizadas em escolas, principalmente da rede pública de ensino fundamental, onde são organizadas palestras. “O mais interessante é que está sendo criada a Pastoral Mirim, formadas por crianças que conscientizam outras a não se enveredar pelo caminho da dependência química, que envolve o álcool e todas as outras drogas”, diz Maria da Penha.
 

O representante comercial Admílson Souza Cardoso, 40 anos, experimentou as drogas quando ainda era adolescente, aos 16 anos. Viciou-se em maconha, cocaína e bebida alcoólica. Passou grande parte de sua vida no submundo das drogas, como usuário. “Perdi a adolescência e grande parte da vida adulta. Vi meus amigos progredirem e não conseguia nenhum avanço devido à dependência química. Só vi o meu desempenho diminuir no trabalho”, diz.
 

A Pastoral da Sobriedade realizou 12480 atendimentos em 2015

Em 2007, conheceu a Pastoral da Sobriedade. Tornou-se frequentador assíduo dos grupos de autoajuda. Em 2012, no entanto, houve uma recaída e Admílson voltou a usar drogas. “Pensei que realmente havia perdido a guerra, mas a vida me deu uma nova chance e passei a frequentar novamente o grupo da Pastoral.”
 

A mudança de comportamento ocorreu em 2013 quando, em uma das reuniões da Pastoral da Sobriedade, conheceu Claudinéia Teles Duarte Cardoso. Depois de um convívio em reuniões seguidas, eles se casaram em 2013. “Desde que a conheci, mudei totalmente a minha vida. A Pastoral me ajudou muito, mas pelo fato de ela também ter se envolvido no trabalho isso me deu forças para superar todos os meus problemas”, afirma Admílson.
 

Claudinéia nunca foi usuária, mas participava como voluntária da Pastoral da Sobriedade. “Em nosso convívio diário, eu consigo mostrar para ele que é importante seguir os 12 passos da metodologia para se curar totalmente. Estou mais próxima dele e isso tem contribuído para sua recuperação”, explica Claudinéia.