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Arquidiocese de BH cria curso de português para imigrantes sírios

Um grupo de imigrantes sírios acolhido pela Igreja na Capital Mineira está aprendendo português com a ajuda da Arquidiocese de Belo Horizonte. Professores do Colégio Santa Maria, em gesto de amor e doação, estão à frente do curso, que objetiva apresentar para o grupo de 17 alunos as noções básicas do idioma, para conversação e escrita. “Eles também estão aprendendo sobre aspectos da cultura brasileira e mineira, da história e do comportamento das pessoas de nosso país”, explica a professora Maria Helena Menezes de Carvalho, assessora pedagógica da Diretoria Geral do Colégio Santa Maria, da Arquidiocese de Belo Horizonte.

 

O curso foi criado a partir de uma solicitação do arcebispo dom Walmor que, durante visita a uma família de sírios em Belo Horizonte, percebeu a grande dificuldade dos migrantes no processo de adaptação com o idioma. Dom Walmor pediu à professora Maria Helena para reunir professores e organizar um curso dedicado aos sírios. A tarefa foi acolhida com entusiasmo também pelas coordenadoras da Área de Língua Portuguesa do Colégio Santa Maria, professoras Mônica Firmino Leão e Vânia Moraes. As educadoras desenvolveram um caderno de atividades para os alunos e uma metodologia de ensino.
 

As aulas abrangem conversação e escrita, além de exercícios, reunidos no caderno. “É um material simples, prático e objetivo. A ideia é que os alunos conheçam não apenas o idioma, mas aspectos da cultura brasileira, de Minas e de Belo Horizonte”, explica a professora Mônica Firmino Leão.  O grupo de estudantes é diverso, reúne crianças, jovens e adultos. As aulas ocorrem às terças e às quintas, em uma sala da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no bairro Funcionários.
 

Entre os alunos está Joseph Karam, de 15 anos, há 3 meses no Brasil. Alegre com a oportunidade de aprender o português, ele conta que suas expressões preferidas no idioma são as saudações “bom dia” e “como vai”. Em seu passado, ficou uma história triste: a casa de sua família, na cidade de Homs, completamente destruída pela guerra.  Foi acolhido na Capital Mineira com seus pais e o irmão. Também integra a turma de estudantes Imad Elias, que na Síria trabalhava em um laboratório como químico e, no Brasil, é assistente de eletricista. Em português, sua palavra favorita é “obrigado”.  
 

Entre os imigrantes, as aulas de português têm sido um sucesso. A professora Maria Helena conta que, a partir da solicitação de um grupo de alunas, será criada nova turma, aos sábados, mas com outro enfoque. “Um grupo de estudantes quer aprender mais sobre a comida mineira, sobre expressões necessárias para fazer compras em supermercado ou sacolão”, afirma.
 

Conflito

A Síria vive a pior guerra civil de sua história. Tudo começou em 2011, com protestos por mudanças políticas inspirados nos levantes da Primavera Árabe. A violência explodiu por todos os cantos da Síria. Nesse mesmo período, o grupo extremista Estado Islâmico também se fortaleceu. Uma situação grave que provoca a saída de milhares de sírios rumo a outros países.
 

As aulas de português destinadas aos migrantes que atualmente residem na Capital Mineira foram destaque no Portal G1. Clique aqui para ler