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A palavra antífona, que pode significar etimologicamente “som contrário”, ou mesmo “resposta”, diz respeito tanto a peças literárias e musicais da liturgia romana, quanto ao modo de cantar. “Cantar as antífonas” pode até referir-se a um salmo inteiro, quando se supõe que as antífonas propostas, por exemplo, no Missal, servem de refrão e acompanham um salmo. Assim o compreenderam corretamente os compiladores do Hinário Litúrgico da CNBB, quando recolheram e organizaram as melodias das antífonas da missa, aplicando a cada uma um salmo. E embora possa parecer que elas determinem a escolha do salmo, o contrário acontece, por exemplo, na Liturgia das Horas, onde as antífonas compõem com as sentenças cristológicas e os títulos dos salmos, os elementos gravitacionais que ajudam a rezá-los a partir da fé cristã.

 

O cantar das antífonas, evolução do canto responsorial, é essencial para a sua compreensão, pois a execução musical reforçou o seu uso, bastante difundido no oriente e, em seguida no ocidente. Santo Agostinho comenta (Confissões IX,7,15), a propósito da introdução das antífonas e do canto antifonal:

Não fazia muito tempo que a Igreja de Milão havia começado a celebrar este gênero de consolação e exortação com grande entusiasmo dos irmãos que os cantavam com a boca e com o coração… Então, foi quando se instituiu que se cantassem hinos e salmos segundo o costume oriental, para que o povo não se consumisse de tédio e de tristeza. Desde esse dia, conservou-se até o presente, sendo já imitada por muitas, quase por todas as tuas igrejas, nas demais regiões do orbe.

O sucesso das antífonas deve-se à fácil execução musical de um texto não muito longo, que podia ser memorizado pela assembleia e entoado como um refrão, num esquema de alternância com o coro. Evidentemente há de se pensar que a liturgia antiga não gozava das facilidades às quais temos acesso: material impresso abundante e, para a sua felicidade, tão pouco os malfadados aparelhos de projeção…

Nos dias atuais, as antífonas perderam seu valor, infelizmente. São mal compreendidas, como peças dispensáveis da liturgia, sobretudo na Missa, ou, quando muito, como moldura dos salmos na liturgia das horas, iniciando e concluindo-os. No passado, eram compreendidas como elemento mais importante. Livros de antífonas foram compilados; os chamados antifonários, que testemunham seu valor, a criatividade das igrejas antigas e a preocupação com a participação de todos.

Sobre as antífonas, pode-se dizer:

 

  • São textos bíblicos ou da tradição que comportam sempre algum sentido espiritual e teológico de grande valor;

 

  • As antífonas têm origem no modo responsorial do canto dos salmos. Na sua raiz estão a música, a participação dos fiéis, os próprios salmos enquanto textos muito queridos pela liturgia. Isso faz pensar no seu sentido eclesial, bíblico e litúrgico

 

  • As antífonas são as antecessoras mais notáveis dos refrãos. Elas colaboram para que o povo participe e cante durante as celebrações, quando não tem acesso aos textos dos salmos;

 

  •     As antífonas reforçam e focalizam algum conteúdo dos salmos, dando-lhes sabor cristão;

 

Seria muito bom encontrar meios de revalorizar as antífonas em nossas liturgias, ou o próprio modo antifonal de cantar. Muito mais se poderia dizer delas contudo, para o que nos propomos – apresentar o tempo do advento a partir das antífonas do Ó, vale o que foi acima exposto.

 

Pe. Danilo César dos Santo Lima
Liturgista