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Ano litúrgico – a celebração do mistério de Cristo

 

Estamos caminhando para o último domingo do ano litúrgico, quando celebramos a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

O ano litúrgico é diferente do ano civil que vai de 1º de Janeiro a 31 de Dezembro. Na liturgia o ano litúrgico segue uma estrutura construída e ordenada a partir da teologia da vida de Jesus, que percorre sua encarnação, nascimento, vida, morte, ressurreição, ensinamentos, etc.

Nesse sentido, o ano litúrgico tem, nos atuais livros da liturgia romana, um começo (primeiro domingo do Advento) e um fim (sábado posterior ao último domingo) do tempo comum, ou solenidade de Cristo Rei do Universo, mas na sua realidade vivida, o ano litúrgico tem uma exclusiva lógica intrínseca, que deve ser desvendada, considerando que o mesmo seja visto como uma verdadeira liturgia, isto é, um conjunto de momentos salvíficos, celebrados ritualmente pela Igreja, sobretudo mediante a Eucaristia, como memorial dos acontecimentos com os quais se cumpriu na história o mistério da salvação.

Na liturgia, considerada continuação de intervenção de Deus, que salva através dos sinais rituais, prolonga e realiza no tempo, mediante celebração, as riquezas salvíficas do Senhor. Por isso, o Ano Litúrgico é a celebração e atuação do mistério de Cristo no tempo.

Jesus, o Rei dos reis e Senhor da História

A data do Ano Litúrgico foi colocada no calendário litúrgico pelo Papa Pio XI em 1925, para que os fiéis pudessem celebrá-la na certeza de ser Jesus o Rei dos Reis e Senhor da história. Nele é possível viver em paz, neste mundo, porque seu Reino é Reino da verdade e da vida, da santidade e da graça, da justiça, do amor e da paz. Jesus ensinou a seus discípulos que entre eles não deveria acontecer o que acontece com os governos do mundo: opressão e exploração.

Os discípulos que caminharam com Jesus e tiveram a oportunidade de conviver com ele, puderam perceber que Ele não era apenas um homem extraordinário ou o Messias escolhido. Ele é, de fato, a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, que em tudo tem a primazia.

Mas quando falamos de rei, não podemos comparar Jesus aos homens reis que conhecemos da nossa história ou até mesmo ás histórias dos reis da Bíblia. Desde as primeiras experiências bíblicas de reis que foram enviados por Deus para o governo do povo, ou seja, a partir do rei Davi, foi a ele anunciado por Deus a promessa de uma descendência e de um reino eterno. O Descendente de Davi não seria um homem comum, mas o Messias, o ungido de Deus.
Em Jesus temos um Rei diferente, um Rei que se aproxima e reconcilia; um Rei sempre pronto a perdoar; um Rei Pastor que vai à procura de suas ovelhas e delas cuidam com carinho e caridade. Um rei que continua conduzindo o seu povo e que o convida a viver no amor que exige o serviço ao semelhante.

Nesse domingo que celebraremos o seu grande dia, o dia de Cristo Rei. Ele, Jesus Cristo, que é o pastor que reúne, cuida e conduz às boas pastagens o rebanho de Deus, possamos nós nos deixar conduzir por Ele dando vivas e glorificando-o, na certeza de que Ele vence, reina e impera em nossa vida.

 

Neuza Silveira de Souza
 coordenadora da Comissão Bíblico-Catequética de BH