Você está em:

Amor aos moradores em situação de rua une leigos e religiosos


Diácono Ricardo  com irmãos em situação de rua, na avenida Guarapari,  orla da Lagoa da Pampulha
 

Acolher e amar os irmãos em situação de rua é o carisma do Projeto Amor Franciscano de Assis(Afra). A obra nasceu, em 2005, das visitas do diácono Ricardo Luiz Rosa para conhecer a realidade das ruas. Hoje, com o apoio da Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Miguel e de outras instâncias da Arquidiocese de BH, apoia em torno 70 pessoas. Segundo o fundador do Afra, a maioria deixou casa e família em consequência do abuso de álcool e drogas e da violência gerada pelo vício. “Levava um lanche para oferecer àquelas pessoas e uma palavra amiga. Meu desejo era conviver com elas e realizar uma experiência comunitária, fraterna, de inclusão. Queria dizer-lhes que não se sentissem sozinhas e que estava ali para compartilhar seus momentos bons e ruins”,conta o diácono que também é consagrado da Ordem Terceira (Ordem Franciscanas Secular) fraternidade São Francisco das chagas Bairro Carlos Prates.

O trabalho do diácono Ricardo despertou o interesse de outros voluntários que começaram a perceber as carências daquelas pessoas. “Elas sequer conseguiam suprir suas necessidades básicas como cuidar da higiene pessoal e se alimentar. Precisávamos, então, ir além; fazer algo para amenizar o sofrimento delas”.

Dom Walmor entre Daniel (à esq.) um dos primeiros voluntários do Afra, o diác.Ricardo e Márcio Mello, minisro da Fraternidade

O passo seguinte, segundo Ricardo Luiz, foi buscar parcerias para ajudar os moradores de rua. “Fizemos contato com a Paróquia Nossa de Fátima e São Miguel e, além do apoio recebido, fomos orientados a procurar a Forania Santo Antônio, de Venda Nova, para que outras paróquias das regiões de Venda Nova e Pampulha colaborassem com nosso trabalho. Então elaboramos um projeto e o apresentamos às paróquias”. Assim, como explica Ricardo Luiz, o Afra inseriu-se na Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte e o arcebispo dom Walmor designou essa Pastoral como provisão de seu ministério diaconal.

Hoje, o Afra caminha com a ajuda financeira da Ordem Franciscana da Fraternidade São Francisco das Chagas, com sede no bairro Carlos Prates, das comunidades de fé da Paróquia Nossa Senhora de Fátima e São Miguel, e com a importante parceria com a Congregação das Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores. “As irmãs, que são responsáveis pela Obra Social Madre Maria de Jesus, foram um sinal de Deus para nós. Elas abriram as portas e o coração para nosso trabalho. Cederam o espaço da Obra para o Projeto e passaram a atuar lado a lado conosco, recebendo nossos irmãos mais necessitados. É lá que realizamos os almoços mensais com os moradores de rua que levamos em uma Kombi do Projeto. Passamos oferecendo carona e aqueles que querem participar vão conosco, uma oportunidade para conversar e promover a socialização deles”, afirma o diácono.  Os grupos Discípulos da Alegria e Amigos do Bem, segundo ele, são duas outras importantes parcerias.

Segundo Ricardo Luiz, o objetivo não é tirar as pessoas da rua, mas amá-las em sua liberdade e, por meio do amor, promover a transformação de suas vidas. “Quando se sentem prontas, elas nos procuram e pedem ajuda para se reintegrarem à sociedade. Então fazemos o possível para ajudar”, conta. Ele explica que restabelecer os laços de família é um importante trabalho que realizam, como, também, criar condições para que as pessoas em situação de rua conquistem autonomia para sobreviver.  O próximo passo nesse sentido será a aquisição de carrinhos apropriados para coleta de material reciclável e a criação de uma possível cooperativa regional, nos moldes da Asmare. “Pensamos em algo que seja construído com nosso próprio esforço, aos poucos, direcionando os recursos que recebemos da Fraternidade São Francisco das Chagas, para que todos se sintam parte da obra”, afirma o diácono.

  

Márcio Mello, Vigário Episcopal Frei Adilson,  e a Sra. Norma,vice-ministra da fraternidade, ao lado da Kombi do Projeto

 

 

 

Diácono Ricardo, Ana Paula (que vive em situação de rua), Rogério e Telma Pessoas em situação de rua recebem sanduíches na praça da Igreja de Santo Antônio no Jaraguá

 

Alegria e fraternidade marcam os almoços do projeto Afra (de camisa amarela os integrantes do projeto  e as  irmãs de Nossa Senhora das Dores com pessoas em situação rua)
 

As senhoras Auxiliadora e Maria, da Ordem Franciscana Secular, na primeira experiência do Projeto. Religiosa da Congregação de Nossa Senhora das Dores, durante trabalho com a população em situação de rua.