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Refugiados haitianos e sírios encontram acolhida no Brasil com a ajuda da Arquidiocese de Belo Horizonte

 

 

Dom Walmor visita a família do
pequeno Abboud, filho de refugiados
sírios que são acolhidos
pela Arquidiocese de Belo
Horizonte
O Arcebispo presenteou a criança
com uma roupinha
 

 

As comunidades de fé da Arquidiocese de Belo Horizonte se mobilizam para ajudar os refugiados sírios, que deixaram seu país de origem após sofrerem as consequências de uma guerra civil que ocorre desde 2011 na Síria.  De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 200 mil sírios já morreram no conflito e dois milhões de pessoas se refugiaram.  

Em Belo Horizonte, o padre George Rateb Massis, que é sírio e pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, organiza o acolhimento de seus conterrâneos. Os refugiados estão vivendo em 16 apartamentos, que funcionam como repúblicas com até oito pessoas, em diversos bairros da Capital Mineira. Os alugueis são mantidos  pela Arquidiocese.

A Síria vive a pior guerra civil de sua história. Tudo começou em 2011, com protestos por mudanças políticas inspirados nos levantes da Primavera Árabe. O governo do presidente Bashar Al-Assad fez uso das forças armadas para reprimir os protestos. A oposição se organizou em grupos armados e a violência explodiu por todos os cantos da Síria. Nesse mesmo período, o grupo extremista Estado Islâmico também se fortaleceu. Essa situação provocou a saída de milhares de refugiados.

Padre George diz que muitos refugiados sírios que estão em Belo Horizonte tiveram que abandonar suas profissões. “No grupo, há engenheiros, médicos, advogados e outros profissionais com curso superior, mas que infelizmente não conseguiram ainda revalidar seus diplomas. São pessoas qualificadas que não conseguem trabalhar em sua área de atuação”. A maior parte dos refugiados pretende se estabelecer permanentemente na capital mineira. “Eles vêm aqui para trabalhar, esquecer a história de violência que vivida na Síria”, afirma o sacerdote.

Entre os refugiados, encontra-se o casal Nadeen Zakour, professora de música, e Alaa Ksabb, advogado, que atualmente é segurança da Igreja São José. Moradores de Homs, a terceira maior cidade da Síria, eles estão no Brasil há mais de quatro meses. “Aqui estamos felizes, há mais segurança. Além disso, os brasileiros nos receberam de braços abertos”, diz Alaa Ksabb, que ainda está aprendendo o português.

Na quarta-feira, 16 de setembro, o primeiro filho de refugiados sírios nasceu na Santa Casa de Belo Horizonte. Ele recebeu o nome de Abboud. Os pais do pequeno bebê são Nsrine  Chahla e Jamel Aladra, que chegaram ao Brasil há mais de um ano. “Eles estão em casa, aqui em Belo Horizonte e é assim que devemos tratar a todos que necessitam de ajuda”, afirmou Dom Walmor, durante visita à família. 
 


Refugiados sírios que estão na Capital Mineira recebem ajuda da Arquidiocese de Belo Horizonte ( na foto, padre George e parte do grupo de refugiados sírios na Paróquia Sagrado Coração de Jesus)

 

Há três anos, a Arquidiocese mantém a Campanha Juntos pela Síria, que recebe doações por meio de uma conta bancária (Banco do Brasil, Agência 3494-0, conta corrente 30-351-8, em nome da Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte).


Haitianos: vítimas do terremoto

“Em pouco tempo, o país foi totalmente arruinado”, recorda-se Jean Alix, 44 anos, haitiano que viu sua terra natal ser destruída por um grande terremoto. Hoje, ele vive com a esposa, Marie Coissy, no Brasil. Foi acolhido a partir do projeto “Bem-vindo estrangeiro”, desenvolvido pela Arquidiocese de Belo Horizonte, em parceria com a ONG Arte pela Paz

 

O terremoto que atingiu o Haiti em 2010 ainda está bem vivo na memória do alfaiate haitiano Jean Alix, 44 anos. “Em pouco tempo, o país foi totalmente arruinado”, diz. Mais de 200 mil pessoas morreram e o terremoto deixou três milhões de habitantes daquele país desabrigados. Depois de perder quase todos os bens materiais, Jean Alix chegou, em 2012, a São Paulo. No ano seguinte, transferiu-se para Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde moram cerca de 1,5 mil haitianos. Com o dinheiro que conseguiu economizar, Jean Alix trouxe a mulher, a vendedora Marie Ange Croissy, para o Brasil.

Ela chegou a Minas em 15 de agosto de 2015. O casal pretende agora poupar um pouco mais para trazer para o Brasil os quatro filhos com idade entre 11 e 20 anos.   No Haiti, por 23 anos, Jean Alix trabalhou como alfaiate de alta costura masculina, confeccionava ternos, calças e camisas em uma loja nas proximidades da capital Porto Príncipe. No Brasil, ele agora exerce a função de auxiliar administrativo da ONG Arte pela Paz. O projeto “Bem-vindo estrangeiro”, que tem parceria com a Arquidiocese de Belo Horizonte, desde maio de 2015, passou a atender cerca de 25 haitianos, que fazem em Esmeraldas oficinas de pedreiro.

Como está há mais tempo no Brasil e já consegue se expressar bem em português, Jean Alix exerce ainda a função de tradutor. Muitos dos haitianos que participam das oficinas chegaram há pouco tempo ao Brasil e têm muita dificuldade em falar a língua portuguesa.  “Com a capacitação oferecida, eles têm mais segurança em busca da inserção no mercado da construção civil. É um povo honesto e trabalhador”, diz Ayton Paulo Simonetti, coordenador da ONG Arte Pela Paz.

A ONG existe há mais de duas décadas, mas somente em 2015 começou a oferecer oficinas aos haitianos. Na Arte Pela paz, crianças e adolescentes participam de oficinas de jardinagem, artesanato em chinelo, corte e costura e culinária. Crianças atendidas pelo projeto são beneficiadas com aulas de teatro, dança, música e circo.

A Arquidiocese de Belo Horizonte também ajuda os haitianos a partir de parceria com o Centro Zanmi, que promove aulas de português, encaminha os refugiados para o mercado de trabalho e, em 2015, também os ajudou na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cerca de 20 haitianos participaram da seleção. O Centro Zanmi é obra social da Companhia de Jesus (Jesuítas) e a acolhida aos haitianos é promovida em parceria com o Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte.