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Recentemente, após a celebração de uma  missa, fui questionado, por um jovem, a respeito do real significado do advento. Num primeiro momento, poderíamos achar um tanto estranho, ou até mesmo um questionamento simplista, mas a pergunta procede. De fato, percebi o quanto se torna difícil falar de um tempo de espera, de preparação, diante de uma sociedade que não sabe esperar, que vive no corre-corre para dar conta das obrigações, matando um leão a cada dia, mergulhada numa cultura imediatista e, muitas vezes, superficial. Basta um passeio pelas ruas e damos de cara com os enfeites deslocados e as luzes em excesso para dizer: o Natal chegou! E isso, não agora em dezembro, começou ainda em outubro.

 

O Advento está,
portanto, inserido num
contexto de expectativas
e de sonhos, num pleno
desejo de se viver
o mistério da vida
de Cristo

Para viver o Natal, a Igreja nos convida a dar esse tempo para “arrumar a casa”. Não somente no exterior, mas e, principalmente, o nosso interior. Advento, no latim, significa “chegada”. É, portanto, momento da proclamação insistente da vinda do Senhor e do seu Reinado sobre nós, como força transformadora e salvadora do mundo. Em toda celebração litúrgica vivemos a dimensão dessa espera, mas é no Advento que vivemos de maneira mais intensa a vinda de Deus que não se faz de forma espetacular ou extraordinária, mas numa atitude de humildade de quem se deixa envolver pela vida do outro, sendo um com ele.

O Advento está, portanto, inserido num contexto de expectativas e de sonhos, num pleno desejo de se viver o mistério da vida de Cristo. São vários os sinais que apontam para essa realidade: a cor rósea, predominante nos paramentos utilizados na liturgia; a sobriedade no celebrar evitando-se os excessos nas flores, nos instrumentos musicais, nas manifestações de alegria; guarda-se o Glória para a noite de Natal. As quatro velas como símbolo do caminho a ser feito nas quatro semanas que constituem este tempo, sendo que as duas primeiras semanas apontam para a vinda gloriosa do Senhor, no fim dos tempos (parusia), enquanto que as duas últimas semanas, já seremos inseridos no clima de preparação para a festa do Natal do Senhor.

É nesse sentido que devemos deixar o tempo do Advento ser o advento e o Natal ser Natal, em outras palavras, não pular etapas, adiantando os sentimentos e ações. É preciso saber esperar e saborear cada momento com propriedade, superando a lógica do consumismo e do lucro que imprimem uma atitude exploradora e descartável, manipuladora e massacrante, o que, diga-se de passagem, nada tem a ver com o tempo que a Igreja nos chama a viver, neste momento.

 

 

 

 

 

 

 

 

Frei Demerval Reis OdeM
Pároco da   Paróquia Nossa Senhora das Graças (Ibirité)