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O episódio bíblico de Marta e Maria, ainda que muitas vezes interpretado como a contraposição entre ação e contemplação, nos mostra as duas virtudes necessárias para acolher a Deus: a hospitalidade e a escuta. Maria acolhe Jesus e senta aos seus pés para escutá-lo. Marta também o acolhe limpando a casa, arrumando a mesa e preparando uma comida gostosa, ainda que reclamando a falta de colaboração da irmã. São duas maneiras de aproximar-se de Jesus. Maria escuta-o e Marta pede a Ele para que a escute.

Hospitalidade e acolhida são valores sagrados.  Duas virtudes que em épocas passadas eram muito apreciadas como podemos ver na Bíblia ou mesmo na literatura grega e que, infelizmente, na sociedade moderna tem acontecido tão pouco.

A virtude que complementa a acolhida é a escuta: abrir o coração para acolher o outro e compreendê-lo traz felicidade por nos colocar em comunhão com Deus. Muitas vezes, um pequeno conflito existencial como a culpa e mesmo algum impedimento na realização de objetivos pessoais podem gerar sentimentos de angústia e até sintomas de depressão. Por convicção de autossuficiência em assuntos emocionais, ou por falta de recursos financeiros, a pessoa deixa de procurar ajuda profissional. O sentimento tende a ir aumentando e acaba por prejudicar o indivíduo em suas atividades sociais, familiares e profissionais.

Por ser um mar de aflição invisível “aos olhos”, a solidão, inevitavelmente, vai acontecer,  pois mesmo as pessoas mais próximas e queridas são incapazes de adivinhar a dimensão do sofrimento no outro. E, o mais grave: o sentimento, antes, simples angústia, superdimensionada no decorrer do tempo, ao longo da vida, consome toda a energia positiva da pessoa. Torna-se causa das doenças psicossomáticas ou de estado agudo de ansiedade e depressão.

 

A Pastoral da Escuta se preocupa com as pessoas que se encontram em  momentos de
aflição. Por isso,
se empenha na  formação de profissionais
para essa tarefa.

 Acolher e escutar é a primeira tarefa a ser vivida no sentido de  solucionar o problema. Com essas atitudes, inicia-se o processo que mais tarde culminará com o equilíbrio e o bem-estar da pessoa, antes em conflito. É o primeiro passo para a restauração de um diálogo normal, saudável, visando ou não um processo de ajuda mais sistematizado e psicoterapêutico.

O serviço Pastoral de Acolhida e Escuta da Paróquia São João Evangelista proporciona um espaço e um tempo para ouvir as pessoas que o procuram naquilo que desejam compartilhar. É uma postura humana e cristã, solidária, ética e profissional. Não pretende ser uma terapia convencional, embora, frequentemente, se transforme na modalidade “breve” de atendimento psicoterapêutico. Não é orientação espiritual e não é catequese. É um trabalho gratuito, prestado por psicólogos voluntários na Paróquia.

 A Pastoral da Escuta da Paróquia São João Evangelista se preocupa com as pessoas que se encontram em momentos de aflição, sofrimento emocional e existencial e por isso se empenha na formação de profissionais para essa tarefa. Com a equipe já existente, tem o compromisso de encontros semanais para a supervisão dos atendimentos realizados, bem como a reciclagem de conhecimentos teológicos e técnico-profissional. As atividades incluem cursos, seminários, comentários de filmes e palestras. São eventos ora abertos ao público em geral , ora parcerias específicas.

Os próximos cursos  sobre atuação na  Pastoral da Escuta serão realizados nos dias 6 e 20 de setembro, e  nos dias 4 e 11 de outubro. Para  mais informações CLIQUE AQUI.

   
Sônia Eustáquia da Fonseca
Psicóloga Clínica