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A pluralidade da assembleia litúrgica

A liturgia é uma ação comum, chamada a superar as barreiras de individualismos e subjetivismos e, assim, romper com toda forma que proponha a segregação da assembleia litúrgica impedindo-a de ser sinal pleno da Igreja peregrina.

 

A assembleia é expressão e sinal da pluralidade da Igreja. Os vários rostos nela reunidos manifestam a diversidade dos dons, carismas e ministérios suscitados pelo Espírito Santo, na caminhada do Povo de Deus. O apóstolo Paulo afirmava que há diversidade de dons, mas um mesmo Espírito realiza tudo (cf. 1Cor 12,4).

 

A liturgia, enquanto ação de Cristo e da Igreja toda, será tanto mais rica e fecunda quando crianças, adultos, jovens e idosos, dela participarem

Nesta assembleia estão presentes homens e mulheres de várias idades e condições sociais.  Há rostos de crianças dando os primeiros passos na caminhada da vida de fé; encontramos idosos, com larga sabedoria e experiência de vida; temos, ainda, muitos jovens com aquela liberdade de ser e fazer, com desejo e força de construir, de ser sujeito e protagonista na vida e na Igreja. Um desejo que prevalece  mesmo sendo eles a parcela da população mais próxima dos vários problemas sociais e, portanto, mais vulnerável a eles.

 

As comunidades que se reúnem para celebrar sua fé encontrarão nas juventudes o desejo de contribuírem como agentes da ação litúrgica. De fato, urge despertar a consciência das assembleias celebrantes de que a Igreja, na diversidade de seus membros e em sua totalidade, enquanto Corpo que tem por Cabeça Cristo, é sujeito da liturgia. Uma compreensão, fruto de uma vivência comunitária equivocada, poderá indicar que somente participam da liturgia aqueles que nela exercem algum ministério “direto”. Mas, ao contrário, a assembleia celebrante é assembleia ministerial.

 

A liturgia, enquanto ação de Cristo e da Igreja toda, será tanto mais rica e fecunda quando crianças, adultos, jovens e idosos, dela participarem. Cada qual, desempenhando as funções que lhe cabe, conforme ensina a Constituição Sacrosanctum Concílium sobre a Sagrada Liturgia (SC 28). Nessa pluralidade de participações todos se enriquecem mutuamente.

 

No contexto da Semana Missionária e da Jornada Mundial da Juventude vivido pela Igreja no Brasil, grande e árdua é a missão das equipes de liturgia na organização e realização das celebrações. Agora, mais do que nunca, sua tarefa é integrar todos os membros na ação litúrgica, sobretudo, levando em consideração a participação responsável das juventudes (não somente nesta época, mas ao longo da vida da comunidade cristã). O Desejo pela participação ativa de todos é para que a liturgia, celebrada pela assembleia, possua o rosto da Igreja, que é o rosto de todos e de cada um.


Tânia da Silva Mayer

Mestranda em Teologia pela
Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia