Você está em:

A pena de morte é inaceitável

 

“O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, preso na Indonésia desde agosto de 2003, foi executado. O homem foi fuzilado”. E  por quê? Por tráfico de drogas. Fora apanhado no aeroporto da Indonésia com 13,4 quilos de cocaína. A notícia correu mundo. Apesar de todos os protestos e apelos de clemência de toda parte, a sentença se cumpriu e o homem foi eliminado. Nada mudou os propósitos do Presidente Joko Widodo. E o General H.M.Prasetyo justificou: “Para aqueles que discordam da pena de morte, espero que entendam que o que estamos fazendo é apenas uma tentativa de salvar nosso país da ameaça que é o narcotráfico”. 

 

A solução não é matar. “Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva”

A morte do brasileiro fora decretada em 2004, um ano depois de ter sido preso. E ele veio carregando esse peso há mais de 10 anos. Só isso poderia pagar todos os seus pecados. Com ele estavam mais cinco cidadãos condenados à morte, de países diversos.

Como força de repressão, durante séculos, muitos países permitiram a pena de morte. Pelo visto não funcionou. A lei de Moisés ordena o apedrejamento da mulher encontrada em adultério e justifica o apedrejamento também para outros crimes. O espírito cristão não o permite. Jesus pode parecer a favor da pena de morte, quando diz para amarrar uma grande pedra de moinho no pescoço e lançar no fundo do mar quem leva ao mal um pequeno. (Veja Mc 9,42). Mas o que Jesus quer é ensinar que há pecados tão graves que uma punição à altura só poderia ser comparada à morte. Mas não é para matar ninguém, Ele veio não para condenar, veio para salvar. A pena de morte fica como critério para avaliar a gravidade do crime.
 

Perguntamos se justifica cobrar de um indivíduo preço tão alto para salvar um país da ameaça do narcotráfico. Trabalhando há um quarto de século com pessoas envolvidas na droga, participando da dor desesperada das famílias com o problema dentro de casa, recebendo cartas dramáticas de pessoas vitimadas pela dependência e o vício que as escraviza.

Mas para decretar uma pena o juiz deve se perguntar quem é o culpado. Eu digo, sem querer comentar, que o culpado do tráfico de drogas é quem compra. Se ninguém comprasse não haveria traficantes. Mas não podemos culpar quem compra se o faz por uma pressão incontrolável, que o torna incapaz de fazer uma escolha racional. E a dúvida permanece. Pergunta-se ainda quem foi que levou a pessoa, até crianças e adolescentes, a entrar por este caminho de degradação progressiva e perdas contínuas? Não foi a omissão do educador? Não foi a desestruturação da família? Não foi a sociedade que deifica o prazer e ensina que a vida é gozar? Não foi a cultura que apregoa uma liberdade sem freios e sem princípios morais?

Então, se há tantos culpados, o que fazer com os incorrigíveis. A solução não é matar. “Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva”. O recurso é criar estruturas para regenerar as pessoas. Estruturas onde os indivíduos sejam tratados como seres humanos, assistidos para a libertação dos vícios e mudança de vida, liberados só depois de comprovada e significativa transformação pessoal. Isso requer tempo. Muito tempo mesmo!  

Nessa estrutura utópica todos terão um manual de instruções chamado Evangelho de Jesus Cristo, com estudo diário dirigido por pessoas  cativadas pelo divino Mestre, agindo com a certeza da fé de que Jesus é o caminho e veio salvar o que estava perdido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Osvaldo Gonçalves,SSCC
Fundador da Família de Caná