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A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Rio de Janeiro foi o maior fenômeno de massas da nossa história. Mais de 3 milhões de pessoas lotaram as areias da Praia de Copacabana para ouvir o Papa Francisco. Foi um espetáculo incrível de fé, unidade e alegria.

 

Como todos que lá estiveram, vivi uma experiência forte. O clima era de final de Copa do Mundo. A multidão gigantesca não era massa despersonalizada. Tinha um toque de família que impressionava e mexia por dentro.

 

Durante quase uma semana, apesar da chuva, do frio e dos problemas de organização, milhares de jovens vindos de todas as partes do mundo mostraram a surpreendente capacidade de renovação da Igreja Católica.

 

O Papa falou dos riscos de valores efêmeros como sucesso, dinheiro e poder, alertou para as atitudes egoístas, convocou os jovens a não esmorecer na luta contra a corrupção e reforçou seu empenho contra a pobreza, a desigualdade e a insensibilidade social. Mas, sobretudo, o Papa sacudiu a própria Igreja e fustigou as atitudes de acomodação e burocracia.

 

 

 

 

Na missa que marcou o encerramento da Jornada Mundial da Juventude, o Papa, mais uma vez, apontou os jovens como os atores principais da propagação da fé católica. Na homilia, o Papa pediu à multidão estimada em 3,5 milhões de pessoas que não ficasse “trancafiada” em casa. “A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que os caracterizam”. 

 

Em uma semana no Brasil, o Papa Francisco delineou os caminhos de seu pontificado. Em discurso para os bispos da América Latina no último dia de sua visita ao Brasil, o Papa criticou a “ideologização” da Igreja por grupos que vão da “categorização marxista” até os “restauracionismos” de “formas superadas”. Mas a crítica do Papa também disse respeito à leitura do Evangelho de acordo com o “liberalismo de mercado” ou como uma mera forma de autoconhecimento — e, portanto, sem sentido missionário.

 

A humildade como princípio e disposição ao diálogo nortearam os discursos do Papa dirigidos aos políticos e às autoridades. Impressionou o tom positivo que permeou todos os discursos do Papa. Impressionou, também, a transparência de Francisco em suas entrevistas aos jornalistas.

 

O que se viu não foi uma Igreja na defensiva. Ao contrário. O Papa rasgou um horizonte valente e generoso. Deixou claro que os católicos não são antinada. O cristianismo não é uma alternativa negativa, encolhimento medroso ou mera resignação. É uma proposta afirmativa.

 

O Papa é exigente. Sem dúvida. E os jovens vão atrás do seu discurso comprometedor. Não gostam de um cristianismo desidratado. A juventude abraça grandes bandeiras. Quem não perceber, na mídia e fora dela, essa virada comportamental perderá conexão com o novo mundo. Afinal, como bem salientou o Papa: “A juventude é a janela pela qual o futuro entra no mundo.”

 

Carlos Alberto Di Franco diretor do Departamento

 de Comunicação do Instituto Internacional de Ciência Sociais.

Blog do Noblat