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A hora do cumprimento das promessas eleitorais: Educação é uma prioridade

 

Encerrado o segundo turno das eleições presidenciais e da disputa para os governos estaduais, torna-se imperioso reconstruir a unidade do povo brasileiro que, por força da forma como foram conduzidas as campanhas, sai dividido em dois ‘Brasis”.

Agora, Presidente e governadores eleitos deverão realizar governos capazes de unir o país em torno de um projeto honrado, onde ética e compromisso com o crescimento sustentável da nação sejam os objetivos principais.

Nesse contexto, a educação, a habitação, a segurança, a saúde e a economia, temas recorrentes em todos os debates, surgem como os  componentes determinantes para o resgate da unidade e para a condução do processo de desenvolvimento.

Na educação, creio que um dos temas mais importantes é o da reforma do ensino médio, promessa de campanha muito frequente. Precisamos impedir que, cada vez mais, nossos jovens passem a integrar o infeliz contingente dos “nem-nem” (aqueles que não estudam porque não veem no ensino médio uma oportunidade de acesso à educação superior de qualidade, ou aqueles que não trabalham por não terem recebido da escola as competências necessárias ao exercício das atividades profissionais).

Nunca é demais lembrar que esta é uma obrigação constitucional de qualquer governante, na medida em que a oferta de uma educação de qualidade é direito de todos, e determinante para o desenvolvimento social do país.

 

É indispensável que se restaure a “dignidade docente”, pela oferta de programas de educação continuada, pela adoção de políticas salariais compatíveis com a relevância da função do magistério, bem como pela garantia da infraestrutura laboratorial nas salas de aula

É urgente e necessário construir um ensino médio inovador, gerando estruturas curriculares que permitam, em conjunto com as metodologias de ensino adequadas, a oferta de processos formativos diversificados e adequados às condições e vocações heterogêneas de nossos jovens, decorrentes da própria diversidade verificada em nosso país.

É um grave equivoco pensar que a reforma do ensino médio poderá ocorrer sem levar em consideração estas diferenças, e entendo que ela terá que obrigatoriamente surgir de ações articuladas do governo federal com cada Estado, pois estes são os responsáveis pela oferta dos cursos neste nível de ensino.

Evidentemente, a organização das novas estruturas curriculares, como ocorreu recentemente no Rio de Janeiro, por intermédio de um trabalho conjunto do Conselho Estadual de Educação, da Secretaria de Educação e da Fundação Ayrton Senna, deverá contemplar a oferta de disciplinas em novo enfoque, de forma tal que os “macro-componentes” do currículo incorporem os aspectos interdisciplinares, e permitam que o egresso do curso médio tenha uma real visão da importância da matemática, das ciências da natureza (biologia, física e química), e das ciências humanas (filosofia, história, sociologia e geografia).

Também será decisiva a criação de condições para a oferta do tempo integral, com pelo menos 7 horas atividades diárias na escola, assegurando-se a flexibilidade do tempo parcial para os estudantes que, por razões diversas, não desejam, ou não podem, dedicar-se integralmente aos estudos.

Todas estas mudanças acarretarão outras, que deverão ser priorizadas para que possamos atingir as metas de crescimento que todos os brasileiros esperam. É indispensável que se restaure a “dignidade docente”, pela oferta de programas de educação continuada, pela adoção de políticas salariais compatíveis com a relevância da função do magistério, bem como pela garantia da infraestrutura laboratorial nas salas de aula.

De nada adiantará, por exemplo, distribuirmos computadores aos milhares se não oferecermos os conteúdos que facilitem o processo ensino-aprendizagem do estudante, e se não assegurarmos a todos os professores os meios de capacitação para introdução das novas tecnologias da informação e da comunicação na sala de aula.

Outro aspecto relevante na construção deste novo ensino médio é entendermos que ele deve estar acoplado à formação para o trabalho, permitindo a mobilidade dos estudantes, de forma a garantir-lhes as ferramentas necessárias ao ingresso num mercado cada vez mais competitivo. Continuamos com a visão distorcida de um ensino técnico inteiramente separado do ensino médio, sem observarmos que a união dos dois poderá ser uma das principais razões do bem-estar de expressivo contingente de nossa população.

Nesta hora é bom lembrar Anísio Teixeira: “choca-me ver o desbarato dos recursos públicos para educação, dispensados em subvenções de toda natureza a atividades educacionais, sem nexo nem ordem, puramente paternalistas ou francamente eleitoreiras.”

 

Paulo Alcântara Gomes ex-Reitor da UFRJ
ex-Presidente do SEBRAE-RJ
presidente da Rede de Tecnologia