Você está em:

 

Se há um sentimento ou uma manifestação profundamente humana é a festa e a alegria que dela decorre.

Ambas, festa e alegira, correspondem à necessidade que todos têm de se expandir para viver momentos de gratuidade.

Ambas são tão antigas quanto a cultura humana. Nem mesmo a tensão da vida dos nossos dias, a pobreza e a fome, eliminaram a propensão do homem à alegria e à festa. Ao contrário, essas aparecem como o canal que dá vazão à esperança.

Sim, rompendo a monotonia da vida cotidiana, que pode ser laboriosa, marcada como é pelo ritmo de tarefas que, embora necessárias e justas, desgastam o homem, permite, a festa e a alegria que este se encontre consigo mesmo, ajudando-o assim a cultivar o lazer, a gratuidade, a amizade –  permitindo-o assim que se restaure e se recomponha física e psiquicamente.

As notas acima caracterizam a festa e a alegria genuínas, não estragadas e empobrecidas pela onda consumista, permissiva, por vezes degradante, que as empobrece e as reduz à categoria de meio de lucro material – fato que se dá inclusive com festas autenticamente cristãs como o Natal e a Páscoa.

O Papa João Paulo II, um ancião tão jovem que encantava milhões de jovens do mundo inteiro nas Jornadas Mundiais da Juventude disse certa vez que a procura de Cristo é fonte de perene  juventude. “Procurando a Cristo e colocando-o no centro da sua vida, você será permanenteemente jovem, será também sal da terra e luz do mundo” (Mt 5,13-16).

Essa alegria, foi o primeiro sentimento que os anjos anunciaram aos pastores na noite de Belém, alegria oriunda do nascimento de Jesus na noite mais feliz da história dos homens (Lc 2,1-14).

Interessante ainda notar que Jesus inaugura sua pregação messiânica no contexto de uma festa de núpcias em Cana da Galiléia. Provavelmente houve, festa, música, alegria – todas traduzidas no vinho novo e bom brindado com os convidados por intercessão de Maria (Jo 2,1-12).

Vivamos estes dias de carnaval rezando para que a genuina festa e a saudável alegria sejam verdadeiramente vividas, em especial pelos jovens que têm tanta sede e são tao solícitos às mesmas.

E para aqueles que não participarão da festa carnavalesca, fica o convite de São Paulo: “alegrai-vos no Senhor” (Fl 4,4). No seu recolhimento, no seu retiro, na praia, na casa ou na fazenda, busque ainda mais a FONTE da verdadeira alegira – JESUS CRISTO – Ele que oferece a alegria que o coração mais procura e alma mais necessita!

 

Dom abade Filipe
Mosteiro de São Bento (RJ)