Você está em:

Liturgia, ação memorial do Mistério Pascal de Cristo

Na Liturgia, os fiéis são saciados pelos “mistérios pascais” (cf. SC 10), isto é, pela obra redentora de Cristo que fez nascer a Igreja (cf. SC 5). O Mistério Pascal de Cristo, não é acontecimento preso ao passado, mas alcança hoje, por meio dos sacramentos que o exprimem, a comunidade de fé. Por essa razão, “a Igreja jamais deixou de reunir-se para celebrar o mistério pascal: lendo “tudo quanto nas Escrituras a ele se referia” (Lc 24,27), celebrando a Eucaristia na qual ‘se representa a vitória e o triunfo de sua morte’”1 .

 

Convém, contudo, clarear a noção de memorial, antes de aplicá-la à toda a Liturgia: não se trata de uma recordação mental, psicológica de um fato passado, mas de uma ação ritual e simbólica que nos remete ao acontecimento em sua fonte, tornando-nos contemporâneos ao mistério2.

 

A estrutura memorial da liturgia cristã valoriza os sinais litúrgicos na sua subestrutura narrativa: a vela acesa, o pão partido, a inclinação profunda, a alegria do aleluia, o andar em procissão… tudo narra algo a respeito do acontecimento da fé. Mas não é uma informação. É uma evocação que nos toma por inteiro: corpo, mente, coração, espírito. Mexe com as profundezas do ser pois situa-se na ordem do simbólico, enquanto linguagem totalizante e transformadora. Escapa das prisões mentais e varre todo o ser, rompendo com as lógicas do tempo e do espaço.

 

Essa ação memorial conta, sobretudo, com a atuação de Cristo. Sua presença é decisiva para atuar o mistério: “Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente em sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas”. É sua voz que alcança o coração da comunidade nas leituras, é o seu toque que cura e consola na unção dos enfermos e na penitência, é sua prece que sobe ao céu quando seu corpo ora a Deus… A ação memorial é ação do seu Espírito, no seu Corpo místico, a Igreja. É Ele que ordena a Igreja e o agir eclesial para o cimo, o Mistério Pascal.

 

Pe. Danilo César Lima
Liturgista

  1SC 6.
  2Cf. GIRAUDO, C. Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo: Loyola, 2002, pp.76-78