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A experiência do encontro com o Ressuscitado

Estamos no tempo da Páscoa, realidade que torna mais viva a presença de Cristo vivo no meio de nós. Tempo em que a Igreja nos convida a revigorar os gestos concretos de sua presença na prática do amor e da solidariedade.
 
Mas é essa a nossa realidade? Percebe-se uma grande dificuldade nos relacionamentos humanos, uma descrença na vivência da fé, ausência de vida comunitária, desconhecimento da Palavra de Deus, um descrédito nas palavras e no comportamento do outro. O amor fraterno parece falhar e dar lugar ás injustiças, ao comodismo e ao desanimo.
Deixamos-nos influenciar pelo ambiente em que vivemos.  Precisamos nos esforçar e superar dificuldades para viver bem o amor – sinal próprio do cristão. Um amor verdadeiro colabora para a nossa transformação, para a transformação dos que estão próximos de nós e da humanidade inteira.

O encontro com o Senhor Ressuscitado

Depois da Ressurreição, o encontro pessoal com o Senhor e seu reconhecimento são feitos através dos “olhos da fé” e dos “sacramentos da fé”. Para reconhecer o Senhor, é necessário que nos sejam abertos os olhos da fé. Mas para que isto aconteça, é necessário primeiro que desejemos encontrá-lo, que estejamos presentes, fazendo parte da nossa comunidade.

No Evangelho encontramos os vários relatos sobre as aparições do ressuscitado aos seus Apóstolos e discípulos. Assim também são variadas as histórias de cada pessoa que faz a experiência com o Ressuscitado. Esta experiência deve ser inserida na comunidade eclesial, enriquecendo-a com os dons recebidos, pois o encontro com o Senhor edifica a comunidade.

Sabemos que ao longo da história e da existência da Igreja, o Ressuscitado continua a se manifestar e que muitas pessoas continuam fazendo a experiência desse encontro. Todos os dias as pessoas realizam o encontro com ele na celebração da Eucaristia.

Ver com os olhos da fé (Jo 20,11-19.24)

Perdida a esperança da libertação de Israel, esperança que os tinham entusiasmados durante o tempo que conviveram com Jesus, os Apóstolos, após a morte de Jesus, se colocaram às portas fechadas, cheios de medo dos judeus, inseguros e infelizes, esvaziados de esperança.

Mas o Ressuscitado aparece, conforme prometido. Primeiro apareceu a Maria Madalena, depois aos Apóstolos reunidos às portas fechadas. Estando Tomé ausente neste dia, o Ressuscitado reaparece novamente ao grupo, oito dias depois e, estando Tomé presente neste dia, o Ressuscitado conversa com ele. A experiência de Tomé nos ajuda. É preciso estar inseridos na comunidade.

Ele aparece à Maria. Esse encontro acontece porque Maria busca a proximidade com seu corpo, no Túmulo. O corpo de Jesus não está mais presente, mas ele próprio lhe revela a sua presença e lhe pede para ir anunciar aos discípulos.

No mesmo dia aparece aos discípulos que se encontravam às portas fechadas. Jesus Ressuscitado aparece e apresenta as chagas em suas mãos e em seus pés. Suas chagas revelam o seu amor sem limites para toda a humanidade e a certeza de sua presença viva no meio de nós. Ele aparece e oferta a paz. Paz decorrente da prática da justiça. Paz libertadora que leva os discípulos a proclamá-la a todas as nações e a convocá-las para a realização da vontade do Pai.  Com a sua Ressurreição somos todos recriados em Cristo Jesus.

Hoje, o Ressuscitado continua  aparecendo?  A fé cristã reconhece a presença viva de Jesus no meio de nós através dos sinais do amor que se manifesta nas diversas comunidades, nos encontros solidários, nas partilhas e no resgate da dignidade do outro. Temos a ressurreição como o dom maior que Deus promete a todos os que vivem segundo o Espírito. Embora tenhamos de esforçar para merecê-la, ela é dom gratuito de Deus (Rm 8, 1-17.28).

Vamos estar atentos para perceber se a experiência que fazemos com o Senhor Ressuscitado opera em nós a graça de um olhar novo sobre nós mesmos e sobre o mundo. À luz da fé pascal, devemos mudar nossas atitudes, nossos comportamentos, nosso agir.

Refletir

Damos testemunho do Ressuscitado como deram os primeiros discípulos?
Participamos de nossas celebrações eucarísticas com a mesma fé, alegria e entusiasmo, como as primeiras comunidades cristãs faziam?

Neuza Silveira de Souza
 Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH