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A dimensão social da Evangelização

A exortação apostólica Evangelii Gaudium dedica um capítulo à dimensão social da Evangelização. Como sal e fermento, o Evangelho tem sua força  própria de interagir com a sociedade, e de contribuir para que ela se torne mais humana e mais justa. Diz o Papa Francisco, que se esta dimensão não for bem explicitada e compreendida, se corre o risco de desfigurar a própria Evangelização, que assim pareceria inócua e alheia à própria sociedade.

O primeiro núcleo da pregação do Evangelho, tem inevitavelmente um conteúdo social. Pois, “confessar um Pai que nos ama profundamente, é proclamar a grande dignidade que confere a cada pessoa… Confessar que o Filho de Deus assumiu nossa natureza humana é confessar que toda pessoa humana é elevada ao próprio coração de Deus. Confessar que Jesus derramou seu sangue para nos redimir, é reconhecer o amor sem limites que enobrece todo ser humano” .  De tal modo que a redenção tem um claro sentido social”.

Assim,  existe uma conexão íntima entre evangelização e promoção humana. Diz o Papa: “O serviço da caridade é uma dimensão constitutiva da missão da Igreja e expressão irrenunciável de sua própria essência”. Se a Igreja é missionária por natureza, também brota desta natureza a caridade efetiva para com o próximo, a compaixão que compreende, assiste e promove. Com estas palavras o Papa Francisco quer enfatizar a estreita ligação que existe entre evangelização e promoção humana. Pois sem esta ligação descaracterizamos a verdadeira natureza do Evangelho.

Este capítulo sobre a vinculação do Evangelho com as questões sociais é o mais difícil e mais complexo de toda a exortação Evangelii Gaudium. Tanto mais precisamos refletir em conjunto e cultivar nosso compromisso cristão, de sermos ao menos tempo o povo de Deus chamados a vivermos em comunhão com ele, e simultaneamente sermos uma Igreja que fortalece os laços de fraternidade com toda a população.

 

Dom Demétrio Valentini
Bispo de Jales