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A cruz não será apenas um sinal exterior, mas será um sinal que o cristão traça sobre si. A cruz tornou-se oração e gesto. Orações simples acompanhadas de tão simples gesto, recordemos: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” oração trinitária acompanhada pelo gesto da cruz. Gesto presente nas celebrações da Igreja e no cotidiano: precede e finaliza as tarefas dos cristãos.

 

Recordemos, também, o “Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus nosso Senhor dos nosso inimigos”  oração acompanhada de três cruzes traçadas na testa, nos lábios e peito, expressão de entrega dos sentidos e pedido de proteção. Ainda, é com um sinal da cruz que a Igreja, através de seus ministros, abençoa, absolve, livra e santifica as pessoas, as criaturas e os objetos.

No entanto, as cruzes não estão presentes só nos gestos e orações pessoais ou litúrgicas, mas também tem um espaço privilegiado na piedade popular. Vejamos alguns exemplos.

Cruzes encimando Igrejas e capelas convidando os passantes para oração e encontro com Deus e os irmãos.
Cruzes nos morros, cruzeiros de peregrinação e recolhimento na natureza, para onde os olhares e passos se dirigem buscando alcançar o céu ainda como peregrinos.

Cruzes das encruzilhadas de estrada e caminhos enfeitadas com os símbolos da Paixão do Senhor, memória viva do amor apaixonado de Cristo e que nos provoca a recordarmos os evangelhos e a catequese.

Cruzes nas portas das casas com a literal mensagem “aqui mora um cristão” e que atrai os passantes para “encontrar um copo d´água, um pequeno sustento, uma acolhida.”  Cruz das casas “enfeitadas”, “vestidas” com a simplicidade do papel crepom, mas sinal de terno e delicado amor a Nosso Senhor.

Cruzes dos cemitérios, silenciosas, tristes, cheias de saudades e que, cortadas pelo vento, quase sussurram “descansem em paz”.

A cruz tem os atributos próprios do amor: a simplicidade, o diálogo, compromete-se com Deus e os irmãos, esgota-se em paixão, abre os céus, faz encontrar. Ave Crux, spes nostra: Salve, ó Cruz, esperança nossa.

 

Pe Nivaldo Magela de Almeida Rodrigues
Pároco da Paróquia N. Sra das Graças e Medalha Milagrosa
Professor de História do Cristianismo – PUC Minas
Vice-Chanceler da Arquidiocese de Belo Horizonte