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A caminho da paixão de Jesus Cristo

 
 
Caminhando como Igreja, neste período quaresmal, estamos vivendo um tempo rico da nossa praxis cristã. Somos chamados à reflexão sobre a fragilidade e efemeridade da vida humana. A Quaresma, neste ano, iniciou-se no dia 10 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, se estenderá até o dia 20 de março, Domingo de Ramos, encerrando-se na Quinta-feira Santa, conforme seu valor salvífico-redentor, à  luz do simbolismo Bíblico. É todo um tempo marcado pelo convite ao recolhimento; tempo de graça e reconciliação, itinerário para uma profunda e verdadeira conversão.  
 
Por meio do sinal das cinzas inicia-se o caminho de conversão, que atingirá sua meta na celebração do sacramento da penitência, nos dias antes da Páscoa. Tempo privilegiado da redescoberta da inserção no mistério pascal de Cristo, mediante o sacramento do Batismo. Uma preparação espiritual para a celebração do grande mistério pascoal. Todas as celebrações desse tempo são marcadas por grandes símbolos e exigem atitudes sinceras de conversão, em vista da celebração da Páscoa.

Qual o significado do Domingo de Ramos?
 
O Domingo de Ramos abre por excelência a Semana Santa. A celebração desse dia nos faz recordar a entrada de Jesus em Jerusalém. Nesse sentido, ao celebrarmos as bênçãos dos Ramos e caminhar em procissão, fazendo a entrada triunfante na Igreja (Templo Sagrado), estamos, em comunidade, experimentando toda a alegria do acontecimento daquele dia: a chegada do Senhor em Jerusalém para celebrar a Páscoa do seu tempo. 
 
Esse domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento, símbolo da pobreza e do serviço. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava “Rei dos Judeus”, “Hosana ao Filho de Davi”, “Salve o Messias”…. Uma aclamação cheia de alegria e esperança, pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias esperado, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e econômica imposta cruelmente pelos romanos naquela época e da escravidão religiosa que massacrava todos com rigores excessivos e absurdos. O povo esperava um rei que impusesse a paz, pela força e pela espada.
 
O Domingo de Ramos pode ser chamado também de “Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor”. Nele, a liturgia nos relembra e nos convida a celebrar esses acontecimentos da vida de Jesus que se entregou ao Pai como Vítima Perfeita e sem mancha para nos salvar da escravidão do pecado e da morte. Esse é o único domingo no qual se faz a memória da paixão do Senhor.
 
Esta procissão que acontece carregada de um profundo significado de fé e a benção dos ramos, para nós, constitui um só rito litúrgico, não podendo fazê-lo em separado. Em Jerusalém, enquanto os chefes do Sinédrio pensam na eliminação de Jesus, nesse mesmo momento o grão de trigo que morre começa a dar fruto: alguns pagãos pedem para ver Jesus. Esse pequeno grupo de estrangeiros é o núcleo da futura Igreja. Hoje, essa procissão não é apenas uma recordação de um acontecimento passado, mas torna presente o acontecimento, por meio da celebração litúrgica, e da vivência na fé. Sempre fomos chamados a entrar com Jesus no drama da sua Paixão para compartilhá-la. A Igreja tem por vocação ser instrumento de Cristo em favor da redenção do mundo. 
 
O sinal externo da procissão adquire todo o seu relevo na medida em que tenhamos formado uma comunidade de fé com o anuncio da Palavra de Deus. Uma celebração que se inicia com a entrada de Jesus em Jerusalém deve elevar os ânimos dos fiéis à proclamação da Paixão de Jesus na liturgia e à sua atuação sacramental na liturgia eucarística.
 
Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH