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A Bíblia é profundamente humana


 

Nesta edição, prosseguimos com nossa reflexão sobre a Bíblia, ou seja, a respeito do livro gerado pelo Povo, que se torna veículo da Revelação. Por isso, pode-se dizer que a Bíblia é profundamente humana, pois nos fala sobre as coisas da vida, narra a experiência de vida de um povo que caminha, através de muitas gerações. Ela é assim: Palavra de vida eterna, sempre nova, provocante e iluminadora. Por detrás de suas palavras pode-se descobrir o segredo de Deus para viver bem a nossa vida. Ele está sempre nos falando:  por meio da natureza, da vida, dos atos, pelos acontecimentos, pela história da humanidade. Deus continua se revelando nos fatos da vida.

São Paulo nos diz que a Bíblia foi escrita para ensinar, refutar, para corrigir, para educar na justiça (2Tm 3,16). Lendo-a, nós entendemos melhor o projeto de Deus para a nossa vida humana.

Jesus deixa um grande exemplo, ensinando-nos por meio de sua pedagogia, como a palavra ilumina a vida. Dentre muitos, citamos (Lc 24,25-27). Depois de escutar os dois discípulos, Jesus ilumina suas vidas a partir daquela realidade, ajudando-os a fazer memória das palavras da Bíblia que se encontram no livro de Moisés e dos profetas. Assim, essa palavra orienta-os para compreender de modo diferente os fatos ou a situação vivida por eles. Com este ensinamento, Jesus desperta nos discípulos uma nova atitude de fé que os conduz para o testemunho e a missão.    

O que encontramos na Bíblia?

Muita gente acha difícil a leitura da Bíblia, sobretudo o Antigo Testamento. Muitos acham que dentro da Bíblia não há quase nada que diga respeito diretamente à nossa realidade, acham que a Revelação Divina se encontra debaixo de culturas e tradições que já não são mais as nossas.
   
Nos seus primeiros cinco livros encontramos a Torá. É a lei Aliança, a Instrução, o Ensinamento. Nela encontramos a Aliança de Deus com Noé, com Abraão e com Moisés. É Deus insistindo com esse povo. É Deus fiel lutando firmemente para ajudar o povo a permanecer fiel.

Nos chamados livros históricos, encontramos as narrativas, a organização do povo, suas lutas, vitórias, festas e dificuldades, mostrando os trabalhos das grandes lideranças.

Nos chamados livros sapienciais, ou seja, de sabedoria, apresentam-nos as reflexões de sabedoria como:  poesias, cantos, salmos, orações, hinos e provérbios.

Nos livros proféticos está a mensagem daqueles que foram chamados para anunciar, denunciar e indicar caminhos. No meio dos profetas encontramos Ezequiel que, ajudando o povo no exílio a refletir sobre Deus leva-o ao alcance de perceber a nova aliança, pois Deus quer esse povo. Deus diz: Eu serei o seu Deus e vós sereis o meu povo.

Nos Evangelhos está a grande Boa Notícia: Cristo ressuscitou. Neles encontramos as reflexões e experiências das primeiras comunidades sobre Jesus Cristo: sua pessoa, palavras, gestos e atitudes. Também as várias cartas que descrevem a vida e seus conflitos das comunidades cristãs.

Percorrendo o caminho bíblico encontramo-nos com Jesus Cristo, o mistagogo, o pedagogo, aquele que é o primeiro Sacramento de Deus, o educador da humanidade.

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de BH