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No próximo domingo, dia 8 de maio, comemoramos o dia das mães. É, portanto, uma interessante oportunidade para considerarmos o que é ser mãe neste início de milênio.

Em sua recém-lançada exortação apostólica Amoris Lætitia, o Papa Francisco aborda a situação da família na atualidade: “O sentimento de ser órfãos, que hoje experimentam muitas crianças e jovens, é mais profundo do que pensamos. Hoje reconhecemos como plenamente legítimo, e até desejável, que as mulheres queiram estudar, trabalhar, desenvolver as suas capacidades e ter objetivos pessoais. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ignorar a necessidade que as crianças têm da presença materna, especialmente nos primeiros meses de vida. A realidade é que «a mulher apresenta-se diante do homem como mãe, sujeito da nova vida humana, que nela é concebida e se desenvolve, e dela nasce para o mundo». O enfraquecimento da presença materna, com as suas qualidades femininas, é um risco grave para a nossa terra.
 
Aprecio o feminismo, quando não pretende a uniformidade nem a negação da maternidade. Com efeito, a grandeza das mulheres implica todos os direitos decorrentes da sua dignidade humana inalienável, mas também do seu génio feminino, indispensável para a sociedade. As suas capacidades especificamente femininas – em particular a maternidade – conferem-lhe também deveres, já que o seu ser mulher implica também uma missão peculiar nesta terra, que a sociedade deve proteger e preservar para bem de todos”.
 

Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral

A sociedade moderna impõe sobre a mulher um fardo muitas vezes desumano. Desde cedo se martela na cabeça das meninas a necessidade do sucesso profissional que lhes assegure autonomia e independência. Como consequência, são lançadas num mercado cada vez mais competitivo. Nesse cenário, a mulher se vê compelida a dedicar cada vez mais tempo e esforço ao trabalho. Isso, porém, não raras vezes, impede, ofusca ou quando menos protela demasiadamente a maternidade.

E, quando vêm os filhos, muitas vezes as mulheres se veem diante de uma injusta distribuição dos encargos, cabendo a ela grande parte dos afazeres do lar, ao que se somam as inúmeras obrigações profissionais. Assim, se a sociedade moderna se beneficia com o trabalho da mulher, muito bem desempenhado nos mais diversos setores, urge que o homem assuma a sua grave responsabilidade perante a família, a esposa e os filhos. Novamente são palavras do Papa: “a figura do pai ajuda a perceber os limites da realidade, caracterizando-se mais pela orientação, pela saída para o mundo mais amplo e rico de desafios, pelo convite a esforçar-se e lutar. Um pai com uma clara e feliz identidade masculina, que por sua vez combine no seu trato com a esposa o carinho e o acolhimento, é tão necessário como os cuidados maternos. Há funções e tarefas flexíveis, que se adaptam às circunstâncias concretas de cada família, mas a presença clara e bem definida das duas figuras, masculina e feminina, cria o âmbito mais adequado para o amadurecimento da criança”.

Há um saudável e necessário feminismo que não busca a uniformidade entre homem e mulher, o que seria irreal e artificial. Não há numa relação conjugal superioridade nem muito menos hierarquia, o que nos deve levar a lutar para aprimorar cada vez mais a igualdade jurídica. Isso, porém, não nos impede reconhecer que há uma inegável diferença que permite que se manifeste a complementaridade. Homem e mulher, precisamente por serem diferentes, proporcionam um ao outro o que esse não tem, desenhando-se assim um caminho necessário para se atingir a plenitude do amor na união conjugal.

“As mães são o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta. (…) São elas que testemunham a beleza da vida, sem dúvida, «uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral”. Como homenagem ao seu dia que se aproxima, que saibamos ser bons filhos, fazendo eco em nossas vidas das sábias palavras do Papa Francisco: “Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que sois na família e pelo que dais à Igreja e ao mundo”.
 

Fábio Henrique Prado de Toledo
Juiz de Direito e Especialista em Matrimônio e Educação Familiar
pela Universitat Internacional de Catalunya – UIC.