Você está em:

Assembleia Geral do Clero reflete sobre Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra e Iniciação Cristã

O clero da Arquidiocese de Belo Horizonte reuniu-se em Assembleia Geral presidida por dom Walmor, na terça-feira, dia 23 de maio, com a presença dos bispos auxiliares dom Joaquim Mol, dom Edson Oriolo, dom Otacílio Ferreira de Lacerda, dom Geovane Luiz da Silva, e monsenhor Vicente de Paula Ferreira, que será  ordenado bispo no próximo dia 27. O evento é realizado  duas vezes por ano, sendo importante oportunidade para as reflexões sobre a ação pastoral da igreja. Tem como um dos objetivos reforçar valores e princípios que marcam a caminhada pastoral dos sacerdotes e a indicação de perspectivas.

Durante a Assembleia,Dom Joaquim Mol falou sobre o Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra e dom Geovane Luiz sobre  “Iniciação à Vida Cristã: itinerário do discípulo missionário de Jesus Cristo”, destacando a sintonia entre os temas . Monsenhor Vicente  e padre Wagner Calegário apresentaram estudos sobre a evangelização nas Vilas e Favelas, realizados pelo Vicariato para a Ação Missionária e Cegipar, e padre Renê Lopes falou sobre as particularidades da evangelização no Vale do Paraopeba. O vigário Episcopal para a Ação Pastoral, padre Joel Maria dos Santos ressaltou a necessidade da participação no Sínodo dos Bispos sobre a Juventude, convocado pelo Papa Francisco para 2018.

A força que vem da comunhão

A assembleia iniciou-se com  um momento de espiritualidade e oração. Dom Walmor abriu  os trabalhos  indicando os principais temas e refletiu sobre o significado do encontro, lembrando que quando todo o clero  se congrega –  padres, diáconos, bispos e colaboradores – tem por objetivo fortalecer o espírito de comunhão , “ porque nossa força vem da  comunhão”. Nesse sentido, o Arcebispo compartilhou o comentário de São Cirilo de Alexandria sobre o evangelho de São João: ” Todos nós formamos um só corpo com o  Cristo. Não somente uns com os outros, mas com aquele que habita em nós pela sua carne. Aqui estamos ao rezarmos juntos, ao compartilharmos reflexões, ao discutirmos, ao expressarmos o que sentimos, para responder a esta pergunta: por que não vivemos plenamente essa união existente entre nós e com cristo? Ora, cristo é o vínculo da unidade por ser ao mesmo tempo Deus e homem. Seguindo o mesmo caminho , podemos falar da nossa união espiritual, afirmando que todos nós, ao recebermos o único e mesmo Espírito Santo, nos unimos uns com os outros e com Deus. Embora estejamos separados, somos muitos e, em cada um de nós, Cristo faz habitar o Espírito do Pai que é também o seu”.

“Desde agora – prosseguiu o arcebispo – torna-se evidente que, de alguma maneira, estamos unidos ao Espírito Santo por participação. De fato, se de uma vez por todas abandonamos a vida puramente natural e obedecemos às leis do Espírito, é claro que, deixando de lado a nossa vida anterior e unindo-nos ao Espírito Santo, adquirimos uma configuração espiritual e, até certo ponto, transformamos em outra a nossa natureza”.

“Todos somos um só com o pai o filho e o espírito um só pela identidade  de condição, pela união na caridade pela comunhão do corpo sagrado de Cristo com a participação do Espírito Santo. Mais do que  dominar os assuntos e as questões que nos desafiam, nós temos a oportunidade de fortalecer a nossa comunhão porque na força de nossa comunhão nós conseguiremos  responder e corresponder aos desafios da evangelização nessa alegria de sermos discípulos missionários de Cristo Jesus”- concluiu.

 

 Projeto de Evangelização Proclamar a Palavra

Dom Joaquim Mol iniciou a reflexão a respeito  do  Projeto de Evangelização  Proclamar a Palavra que, segundo ressaltou, deve ser o rosto da Igreja Particular de Belo Horizonte, “algo que vai sendo traçado aos poucos, à medida em que  o projeto vai nos ocupando de maneira prioritária. Enquanto projeto – disse o bispo-  ele é algo a se construir, a ser feito – um processo  em que se constrói a Igreja Particular de Belo Horizonte. Enquanto mística, é um modo de ser, é o que somos”.

“Quando falamos do Projeto Proclamar a Palavra, falamos do que nos ocupa, quais são as nossas ações, o que realizamos, o que fazemos da vida e o que somos. Quando falamos do projeto também falamos da mística, do modo de ser. Aqui nós temos um projeto como mística, algo a fazer, a construir e um modo de ser. Assim, a Igreja que revela quem ela é e o que faz,  dá a conhecer o seu rosto”.

Segundo dom Joaquim Mol, “foi mesmo o Espírito Santo que iluminou a nossa Arquidiocese de Belo Horizonte  para chamar o seu Projeto de Evangelização,  Proclamar a Palavra”, lembrando sua sintonia com o tema central da Assembleia Geral da CNBB, “Iniciação Cristã”, exatamente porque a Palavra de Deus  tem uma força muito grande de mudança na vida das pessoas. “Assim que tivermos avançado nessas reflexões, teremos uma nova configuração da comunidade eclesial muito centrada na Palavra, porque já o é na Eucaristia. Então, teremos essas duas forças  muito visíveis e muito claras na nossa Igreja”. O mesmo,  o bispo acredita que ocorrerá em toda a sociedade: “A Palavra de Deus  é, por consequência, uma força transformadora na sociedade porque se a gente torna os cristãos adultos na fé,  um dos desdobramentos  claros na sua vida se dá exatamente na sociedade. Talvez a nossa sociedade esteja assim, também  porque  nós temos cristãos que não  vivem muito seriamente a proposta de Jesus no Evangelho”.

A grande  inspiração de se contemplar a proclamação da Palavra,  conforme explica o bispo auxiliar,  pode ser vista na escolha do  tema central da Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que é  a catequese, representada no título “Iniciação da vida cristã”. “Pela catequese nós nos iniciamos como cristãos e cristãs: nascemos para vida, nascemos para o mundo,  e a gente nasce para Jesus Cristo”.

Assembleia da CNBB

Dom Geovane Luiz  apresentou reflexão a respeito do documento elaborado pelos bispos na Assembleia Geral da CNBB sobre a iniciação cristã que, conforme ressaltou, privilegia exatamente o anúncio da Palavra de Deus, que tem a força de produzir frutos e é o centro do caminho catequético. “Um caminho que demanda um certo tempo, e um tempo existencial, não só tempo ritual, não só seguir o tempo litúrgico da igreja, mas o tempo que faz com que a pessoa acolha a Palavra e se transforme em discípulo na comunidade”.

Resumindo o documento, dom Geovane considera que a mensagem da Assembleia da CNBB deste ano reafirma a catequese como o lugar privilegiado  onde a Palavra deve ser Proclamada. “Nenhum plano catequético pode ser construído à margem da Palavra de Deus”- reforçou.

O  bispo convidou  os sacerdotes e diáconos a se unirem  nesse trabalho  exigente de organizar a vida da comunidade  ao redor da Palavra de Deus. Se fizermos isso, colheremos bons frutos. O convite que faço é para que tenhamos a coragem de  organizar, de modo criativo a vida das nossas comunidades” .

O grande fruto que a palavra de Deus produz,  segundo o bispo,  é o fruto do amor que gera a caridade e tantas outras virtudes. “São muitos os frutos da Palavra, porque é uma palavra performativa. Cheia de força, ela faz acontecer na vida da gente o que ela significa. À medida em que acolhemos a Palavra de Deus seremos homens novos, corajosos, cheios de esperança   comprometidos com a vida. Não nos deixaremos  nos levar pelo desânimo, não ficaremos cansados diante  da vida e das situações difíceis que enfrentamos . Quem acolhe a Palavra corre sem se cansa”.