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Ser discípulo de Cristo

Nesta edição, apresentamos o segundo dos três roteiros preparados pelo bispo-auxiliar dom Luiz Gonzaga Fechio para as catequeses durante a Jornada Mundial da Juventude. Vários jovens solicitaram a publicação dos textos para reflexão própria e outros, que já atuam como catequistas, para utilizarem nos encontros.

Querido jovem, é muito difícil – para não dizer impossível – que passemos por este mundo vivendo cada dia com os princípios que para nós são importantes, sem termos referência em alguém que nos é especial, como uma pessoa que destacaríamos como exemplar, e mais do que isto, como modelo. É lógico que podemos elencar várias pessoas que são para nós motivo de admiração e, ao menos em muitas coisas, de imitação. Mas estas, por sua vez, também tiveram outras como pessoas que viveram uma vida relevante no caminho que empreenderam. Se formos buscando uma pessoa que teria sido o início de todo esse processo, não apenas de uma admiração, mas principalmente de orientação singular, basilar, fundamental de vida, em quem deveríamos chegar?

Não há como não admitirmos que a nossa cabeça, por mais que digamos que seja “cabeça feita”, tenha sua maneira de pensar, de olhar, de analisar, de orientar a vida tomando como ponto de partida uma fonte que nos oferece absoluta certeza de qualidade do que se pode tirar dela.

Nós aprendemos e experimentamos que tudo o que é fácil não nos ajuda a crescer em nossa maturidade. É por isso que Jesus afirma que o seu caminho é desafiador.

 

Mesmo que o (a) jovem não admita, é comum que alguém ou algumas pessoas tenham tamanha importância para os seus gostos, suas preferências, enfim, suas opções, que tal ou tais pessoas venham a se tornar verdadeiros ídolos. Onde eu quero chegar? Você já sabe… Na verdade, não é “onde”, e sim “quem”. Mas a finalidade desta catequese não é apenas gritar o nome dele num grande evento como o da JMJ. É preciso questionar-se: o que ele representa para mim? Até que ponto ele faz a minha cabeça? Posso compará-lo a algum ídolo? Não existe diferença entre ele e um ídolo? Um ídolo não poderia nos decepcionar?

O que é ser discípulo? É ter admiração especial? Admiração compromete? O fato de eu admirar determinada pessoa significa que essa pessoa “mexe” comigo? Mesmo que isso possa acontecer, seria suficiente para eu dizer que tal pessoa dá todo o sentido para minha vida?

Se alguém lhe perguntasse: por que ser discípulo (a) de Cristo? Por que vale a pena seguir “este” Cristo? Por que “este tal” Cristo é o melhor para ser seguido como mestre? Será que bastariam aquelas respostas do Catecismo que já temos de cor como, por exemplo: “Jesus é o meu Senhor”, “Jesus é o meu Salvador e Redentor”, “Jesus é o Filho de Deus”? São respostas erradas? É evidente que não, mas como poderíamos dar uma resposta que convença mais?

Vejamos uma passagem bíblica: Mc 10,28-31. Então, vale a pena seguir este Mestre? Quem poderia nos dar o que Jesus promete? Mas nós aprendemos e experimentamos que tudo o que é fácil não nos ajuda a crescer em nossa maturidade. É por isso que Jesus afirma que o seu caminho é desafiador. Ninguém pode ser um bom seguidor ou uma boa seguidora dele se não compreender o significado de “deixar”.

Querido jovem, faz parte da sua vida, principalmente nesta fase, alcançar ideais, conquistar, realizar-se em seus anseios, querer mais, desafiar-se. Que bom se você, ao voltar para o seu dia a dia corriqueiro, que é presente de Deus, cada vez que você acordar  e vir ou sentir o sol brilhar, levar esta voz ressoando continuamente dentro de si mesmo :“Eu sou o seu maior ideal, a sua maior conquista, o seu maior desafio, mas a sua maior realização!”

 

Rezemos juntos

Querido Jesus, nesta oportunidade enriquecedora que a bondade divina me oferece, que os desígnios amorosos do Senhor me presenteiam, venho ao vosso encontro, a este encontro privilegiado que o Senhor marcou comigo, para escutar com mais clareza, com maior nitidez, o vosso chamado: “Vem e segue-Me”. Quero segui-Lo, Jesus, como o Cristo que me ama e me conhece mais que qualquer outra pessoa, como o Cristo que me chama, como o Cristo que me envia para eu ser porta-voz do vosso amor incomparável, da vossa vida plena, em todas as situações da minha vida e com todas as pessoas com quem convivo, especialmente aqueles jovens que estão mais confusos e desorientados na busca da sua felicidade, do sentido para sua vida.

Obrigado, Jesus, porque o Senhor conta comigo para ser vossa presença, com tudo o que ela significa, em minhas amizades, em meu namoro, em meu noivado, em minha família, em meu ambiente de trabalho e de estudo, num discipulado, num seguimento do qual o Senhor não precisaria par fazer o que deseja, mas quer o meu “sim”, livre e convicto. Hoje quero renovar, Senhor, com mais segurança e disponibilidade, o meu “eis-me aqui”, não numa simples simpatia aos vossos ensinamentos, e sim numa verdadeira adesão que me compromete, me desafia, mas me oferece um prêmio que jamais pode ser comparado a qualquer outra opção. Amém!

“Senhor, Tu me olhaste nos olhos! A sorrir, pronunciaste meu nome! Lá na praia eu larguei o meu barco; junto a Ti buscarei outro mar!”


PARA REFLETIR:

Quais são as experiências que você tem, pelas quais percebe que está sendo um discípulo de Jesus?