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2ª Catequese: Ser discípulo de cristo

As catequeses ministradas pelos bispos da Arquidiocese de Belo Horizonte durante a Jornada Mundial da Juventude reuniram, diariamente, jovens do  Brasil e de vários países nas paróquias do Rio de Janeiro.

Nesta edição, publicamos o roteiro segunda das três catequeses presididas pelo bispo-auxiliar, dom Wilson Angotti, como sugestão aos catequistas para  encontros e reflexões.

Ele chama a atenção para o significado de ser cristã, e sugere textos bíblicos para reflexão.


 

Ser cristão significa ser discípulo de Cristo

 

    O amor, quando é verdadeiro, nos leva ao encontro do outro e a tudo fazermos pela felicidade da pessoa amada.
•    Movido por um amor infinito, Deus veio ao nosso encontro, assumiu nossa vida, nos atraiu com laços de amor para nos fazer participantes de sua vida e plenamente felizes.
•    Para estabelecer essa comunhão, própria de quem ama, Jesus nos chama a ser seus discípulos. É Ele que toma a iniciativa, ao dizer: ‘Não foram vocês que me escolheram, fui eu que os escolhi’ (Jo 15,16).
•    Uma vez chamados não podemos ser indiferentes. É necessário responder ao Senhor que nos chama. Ao amor nunca se responde com indiferença.
•    Ser cristão significa tornar-se discípulo de Jesus; ser seu seguidor; corresponder ao seu amor. O cristianismo não é adesão a um conjunto de verdades, a uma ideologia, a uma moral ou a uma espiritualidade; é primeiramente o encontro com uma pessoa: Jesus Cristo. Esse encontro reconfigura nossa vida e nos abre à dimensão da transcendência.

 

O discipulado começa por um encontro com Cristo

 

•    Vamos recordar alguns relatos bíblicos de encontro com o Senhor.  Ouçamos primeiro a história de um jovem que se encontra com Jesus e pergunta- lhe o que é necessário fazer para ter a vida eterna. Ler: Mt 19,16-22.
•    Outro exemplo bíblico de chamado é o de Mateus, que era coletor de impostos. Os que exerciam essa função eram considerados ‘pecadores públicos’, pois agiam com desonestidade ao cobrar os impostos e eram desprezados. Quando o Senhor chamou Mateus, ele deixou tudo e o seguiu (Mt 9,9).
•    O mesmo vemos com os irmãos Simão (Pedro) e André, Tiago e João, que lançavam as redes, pois eram pescadores. Quando o Senhor os chamou, eles, imediatamente, deixaram tudo e seguiram o Senhor (Mt 4,18-22). A partir desses relatos vamos considerar alguns elementos.
•    Muito provavelmente, o chamado ao seguimento não tenha ocorrido logo no primeiro encontro que tiveram com Jesus, mas o encontro sempre foi decisivo para o seguimento.
 

Mesmo quem é cristão desde o nascimento, em algum momento da vida,
tem que fazer uma opção mais decisiva sobre se quer ou não seguir a Cristo.
O que pode impedir-nos de dizer sim?

•    O jovem rico, certamente, já conhecia Jesus, pois, o chama de ‘Bom Mestre’. É inegável que tenha havido um encantamento pela maneira de ser de Jesus que o cativou. Reconhecendo a sabedoria de Jesus, o jovem pergunta o que ele deve fazer para ter vida. Observar os mandamentos é a resposta! Porém, ao ser chamado para o seguimento, o jovem não foi capaz de dar o passo decisivo da renúncia e da entrega de si. Talvez até quisesse estar com o Senhor, mas com reserva, sem ter que comprometer-se totalmente. Estava apegado a muitas coisas a que dava exagerado valor. A narrativa se conclui dizendo que ele foi embora muito triste! Esse jovem tinha sede de algo maior, mas não foi capaz de abrir mão da vida que tinha para dar um passo decisivo em vista de um ideal maior. Para seguir Jesus é sempre necessária a renúncia a nós mesmos.
•    Mateus, o cobrador de impostos, era uma pessoa que, pela fama que tinha, certamente, não o incluiríamos numa lista de prováveis pessoas a serem chamadas. Tinha muitos bens e uma profissão rendosa. Quando chamado, deixou tudo e seguiu Jesus. Sua história nos mostra que o encontro com o Senhor pode transformar até aqueles que ninguém apostaria neles.
•    Os pescadores Pedro e André, Tiago e João também não relutaram ao serem chamados por Jesus. O Evangelho diz que, imediatamente, deixaram tudo e seguiram o Senhor. O encontro deles com Jesus transformou a vida desses homens e provocou uma mudança no mundo, pois por eles a fé se difundiu. A resposta deles repercutiu também em nós, que nos tornamos cristãos.
•    Quantas pessoas que, ao longo da história, tendo-se encontrado com o Senhor, tiveram a vida transformada e com sua resposta colaboraram em criar um mundo melhor.
•    Até quem é cristão ‘desde o nascimento’, em algum momento da vida, também tem que fazer uma opção mais decisiva se quer ou não seguir a Cristo. O que pode impedir-nos de dizer sim?

 

O seguimento de Cristo implica conhece-Lo e configurar-se a Ele

•    A quem se propõe a segui-lo, Jesus diz: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; mas, quem perde sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua vida?” (Mt 16,24-26).
•    Refletindo sobre o jovem rico, nós já consideramos a dimensão da renúncia aos nossos apegos e ao desejo egoísta de fazer nossa própria vontade. Agora, nos perguntamos: o que significa assumir a cruz? Muitas vezes a cruz é associada a sofrimento; porém, para nós, cristãos, a cruz é, na verdade, símbolo da fidelidade de Jesus à vontade do Pai Celeste. Fidelidade até às últimas consequências; mesmo tendo que enfrentar oposições, sofrimentos e até a morte.  A cruz é também símbolo de nossa fidelidade a Jesus, pois o discípulo tem que se configurar a seu mestre e senhor. A cruz é símbolo da fidelidade de Jesus ao Pai e também de nossa fidelidade a Jesus; portanto, ela não é símbolo de derrota, mas de vitória, não é símbolo de sofrimento, mas de alegria; não é símbolo de morte, mas de glória!
•    É próprio ao discípulo ouvir o Mestre e aprender tudo o que ele tem a ensinar. Isso caracteriza o discípulo e o faz estar em constante processo de conversão.
 

Ser discípulo não é como um aluno que seleciona as matérias que quer cursar; é um compromisso com o Cristo na totalidade de seu ser e de seu ensinamento

•    Jesus não é um mestre que se compare a qualquer outro, ele é o próprio Deus que assumiu nossa condição humana; cumpre-se assim a escritura que diz: “sereis discípulos de Deus” (Jo 6,45).
•    Cabe a nós, como discípulos, nos dedicar a aprender tudo o que o Senhor tem a nos ensinar. Para isso é necessário buscar sua Palavra, acolhê-la, meditá-la diariamente; deixar que ela ecoe em nós e oriente nossa vida. Essa Palavra tem o poder de nos dar a vida eterna. “Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna”, diz Jesus (Jo 5,24).
•    É importante também conhecer como a Igreja, ao longo do tempo e com a assistência do Espírito Santo, foi interpretando e aplicando essa Palavra. Todo esse ensinamento nos é apresentado no Catecismo da Igreja Católica; uma riqueza à disposição de todo discípulo que quer progredir no conhecimento do Senhor e no aprofundamento da vida cristã.
•    Diante da totalidade do ensinamento de Jesus, como discípulo, não nos compete escolher, como num ‘self service’, o que nos interessa e o que não nos interessa. Ser discípulo não é como um aluno que seleciona as matérias que quer cursar; é um compromisso com o Cristo na totalidade de seu ser e de seu ensinamento.
•    Nesse seguimento de Jesus nós não estamos sozinhos, nós O seguimos como Igreja, em comunidade. No seio da Igreja, família de Deus reunida na fé, nós somos amparados a perseverar e recebemos a graça de Deus por meio dos Sacramentos, a fim de vivermos como discípulos fiéis.
•    Colocando-nos decididamente nesse caminho do discipulado, nós poderemos fazer nossas essas palavras: “Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29).