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Sede de esperança, sede de Deus

 

 Centenas de jovens se reuniram em torno dos bispos da Arquidiocese de Belo Horizonte, durante as catequeses ministradas na Jornada Mundial da Juventude. Vários deles solicitaram a publicação dos roteiros para reflexão própria e outros, que já atuam como catequistas, para utilizarem nos encontros. Nesta edição, apresentamos o primeiro roteiro preparado pelo bispo-auxiliar dom Luiz Gonzaga Fechio.

 

É possível alguém viver sem esperança? Pode até ser que sim, mas esta vida não será com prazer, com satisfação. A esperança só é possível quando há expectativa ou perspectiva de dias melhores. Mas, o que é o melhor? Conseguimos caracterizá-lo bem a partir de uma realidade que não nos agrada, não nos satisfaz, não dá sentido à nossa vida, não nos realiza. Isto nos faz admitir que os relacionamentos estão cheios de contra-valores, ou seja, valores falsos, os quais, portanto, nem mereciam este nome “valor”.

 

Mas é possível acreditar na esperança, isto é, é possível projetar perspectivas de dias melhores ou de um mundo melhor, sem desejar com insaciável sede e buscar incansavelmente uma referência que dê suporte à nossa luta, garantindo-nos que apesar de fracassos e derrotas, a vitória é certa e não sairemos decepcionados? Existe uma referência fundamental com a qual possamos ter a certeza de que vale a pena todo sacrifício? Se estamos aqui, sabemos que a resposta é “sim”.

 

Sede de esperança só pode ser sede, ao mesmo tempo insaciável e saciável, se é sede de Deus! Por que insaciável e saciável, ao mesmo tempo? Insaciável porque Deus não se esgota, e saciável porque, simultaneamente, só Deus satisfaz. Como é possível existir uma fonte cuja água bebemos e quanto mais bebemos mais sede sentimos? Que água é essa? Essa sede existe? Ela é real? A experiência de vida de muitos, inclusive jovens, graças a Deus, mostra que sim. Jovens alguns dos quais a Igreja até já reconheceu como santos. Esperança é só sonho, só desejo, só projeção de uma utopia? Não; é busca! E buscar algo que é inalcançável não vale a pena porque é perda de tempo.

 

Esta água que mata a nossa sede de esperança existe e em abundância, mas precisamos ir até os poços onde ela se encontra: a Palavra de Deus e os sacramentos, principalmente a Eucaristia

Querido jovem, que a Jornada aumente a sua sede ao longo de toda sua vida! Que provoque cada vez mais insatisfação quanto a tudo o que é oferta enganosa, ilusória, falsa, para você matar a sua sede. Não vá na oferta mais barata, quer dizer, na mais fácil, mais cômoda, tranquila. Esta não é de qualidade. E a questão não é apenas você evitar essas águas, mas denunciá-las e oferecer aquela que está ao alcance de todos, mas não é tão procurada porque não parece ser tão atrativa diante das outras opções.

 

Quando estamos com sede, às vezes nos satisfazemos em beber qualquer coisa entre várias opções para matar a sede, porém também é verdade que em determinados momentos de sede apenas nos sentimos verdadeiramente satisfeitos com água, mesmo. Existem muitas ofertas para matar nossa sede, ofertas de muitas cores e sabores, mas nenhuma faz tão bem quanto a água e, mesmo assim, precisamos verificar se ela procede de uma fonte confiável.

 

Querido jovem, esta água que mata a nossa sede de esperança existe e em abundância, mas precisamos ir até os poços onde ela se encontra: a Palavra de Deus, que, como sempre ouvimos na Missa, é Palavra do Senhor, Palavra da Salvação; nos sacramentos, que são as ofertas fundamentais da vida de Deus para nós, principalmente na Eucaristia. Mas, quando vamos a estes poços com sede, nós mesmos nos tornamos um poço. Deixe Deus fazer de você um belo poço, um poço profundo para que muitos outros jovens venham beber desta água pelo convívio com você.

Exemplo bíblico

 

A Samaritana-Cláudio Pastro

Ouvindo-me falar de poço, se eu perguntar a vocês uma passagem bíblica que vem imediatamente ao pensamento, tenho certeza que dirão: Jesus e a samaritana (Jo 4,5-42). Recordemos este texto.

 

Jesus precisava pedir água àquela mulher? Ainda mais uma samaritana? Jesus até poderia estar com sede, mas o que ele queria era que a mulher mostrasse a sua sede, sede que nem a água toda daquele poço iria matar. Quando Jesus fala à mulher da água que ele tem para dar, afirma que esta água é totalmente diferente, não porque ela tem propriedades químicas perfeitas, mas porque a pessoa que bebe dela não só ficará satisfeita, mas será uma fonte, uma mina, um poço, ou seja, um distribuidor dessa água a quem dela precisar, numa procura de ajuda, mas também a quem pensar que não precisa, porque não está com sede.

 

Como podemos perceber, já pela própria passagem do Evangelho, que é verdade, realmente, que quem beber da água que ele tem para dar tornar-se-á uma fonte de água? Como terminou o encontro de Jesus com ela? Ela deixou o seu cântaro, correu, dizendo a todos… “E muitos creram nele, por causa da palavra da mulher”.

 

Oração

 

Oremos. Senhor, estou aqui como um jovem que tem a certeza do Vosso amor por mim. Peço-Vos que me acolha Senhor, e que eu me deixe acolher por Vós para tomar consciência da minha sede. Não uma sede qualquer, mas sede de uma felicidade, de um prazer, de um sentido para a vida que só pode ser encontrado ou satisfeito, deixando-me atrair por Vós. Não quero matar a minha sede saciando-me egoisticamente. Mesmo não precisando, sei que o Senhor quer precisar de mim, mesmo nas minhas fraquezas, nos meus pecados, para eu ser um poço da Vossa água, água viva. Sei que há muita oferta de água contaminada, Senhor. Água que engana, que adoece e mata. Que a Vossa graça me acompanhe Senhor, com a minha oração diária, com a minha meditação da Vossa Palavra, com a minha Eucaristia, para que outro jovem, sem cálculo de quantos, a começar do meu namoro, minhas amizades, meus estudos, e minha profissão possa experimentar desta água viva. Que, assim, cada vez mais jovens e pessoas de outras idades possam multiplicar esta fonte. Obrigado, Senhor, por sentar-se em tantos lugares, pelas diversas circunstâncias da minha vida, e me esperar, com perfeita paciência e amor sem fim! Amém!