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1ª Catequese: sede de esperança, sede de Deus

As catequeses ministradas pelos bispos da Arquidiocese de Belo Horizonte durante a Jornada Mundial da Juventude reuniram, diariamente, em torno de 600 jovens nas paróquias do Rio de Janeiro e região metropolitana. Nesta edição, publicamos o roteiro da primeira das três catequeses presididas pelo bispo-auxiliar, dom Wilson Angotti, como sugestão aos catequistas para  encontros e reflexões. Ele chama a atenção dos jovens para os anseios e as formas de saciar a sede de esperança, à luz dos ensinamentos de Santo Agostinho.

 


Sede de que esperança?

•    Em geral, todos nós alimentamos anseios (ou esperança) de futuro feliz, de realização pessoal, de sucesso profissional, de concretização de sonhos, de vida realizada, enfim.
•    Como foi significativo ver, ainda há poucas semanas, jovens de todo País que saíram às ruas e se manifestaram demonstrando essa sede de esperança, desencadeando um clamor e uma busca por uma vida e um País melhor.
•    Entre os que se manifestaram notou-se um evidente contraste entre aqueles que o faziam de modo pacífico e os que enveredaram pela violência e marginalidade.
•    Assim também observamos que a busca em saciar a sede de esperança é feita por caminhos acertados e, outras vezes, por caminhos errados.

Modos de saciar essa esperança

•    Quantas pessoas, especialmente jovens, têm sede de esperança, mas não sabem como realizá-la.
•    A quantos falta a sorte de alguém que os auxilie na busca.
•    O mundo nos oferece coisas que só em parte respondem aos nossos anseios mais profundos de vida e felicidade. Quantas vezes somos induzidos a achar que a felicidade consiste em consumir, em usar esta ou aquela grife, em ter tudo o que sonhamos, em fazer tudo o que queremos, em ser igual a esta ou aquela pessoa…
•    Por isso, muitos jovens acabam enveredando por caminhos que não conduzem à realização e à vida; antes a desrespeitam e agridem. Buscam saciar essa sede de modo desordenado e muito questionável.  
•    Muitos pensam que poderão concretizar as esperanças e ser felizes fazendo tudo o que têm vontade, buscando só o que lhes dá prazer, dinheiro, fama, sucesso, poder… Nesse caminho, muitos caem nas armadilhas dos vícios, do egoísmo, da marginalidade, da violência. Causam tanto mal a si como também muito desgosto a familiares e às pessoas que muito os amam.
•    Na busca de serem livres e felizes acabam como escravos de seus vícios e experimentam um vazio existencial muito grande.

O jovem Agostinho descobriu no cristianismo o que a filosofia não conseguiu lhe dar: o sentido mais profundo da vida.

•    Quantos jovens que ficaram famosos, ricos, alcançaram sucesso e fama, mas experimentaram um vazio existencial tão grande que os levou ao suicídio! Quantas histórias assim com nomes e rostos conhecidos nós poderíamos lembrar!
•    Tais histórias nos levam a reconhecer que há muitas buscas em realizar anseios que além de não preencherem e não realizarem a vida, muitas vezes a destroem!
•    Se existem buscas por ideais que são rasteiros, também existem buscas por ideais elevados. (O catequista pode exemplificar com comparando a pessoa a uma casa de dois andares: O piso térreo é o dos cinco sentidos que tendem ao prazer, e o de cima é o dos valores como o bem, a verdade, a beleza, justiça e o amor. Há quem se encante e se contente com o que as janelas dos sentidos proporcionam e jamais sobem ao andar superior.) Quem se propõe ideais rasteiros viverá de modo medíocre; quem se propõe ideais elevados alcançará metas elevadas.

•    Na busca pela felicidade, um jovem de nome Agostinho, como tantos outros jovens, viveu movido por seus prazeres. O tempo foi passando e ele começou a inquietar-se, pois sentia dentro de si um vazio existencial muito grande. Sua inquietude o levou a dedicar-se à filosofia na tentativa de saciar sua sede pela verdade, pela felicidade, pela vida. Esta lhe trouxe uma grande contribuição, mas não saciou sua sede existencial. Agostinho continuava buscando. Um dia, ele se deparou com uma pessoa que lhe falou sobre Cristo; falava de um modo que despertou nele o interesse de conhecer mais. Empenhado nessa busca o jovem Agostinho descobriu no cristianismo o que a filosofia não conseguiu lhe dar: o sentido mais profundo da vida. Foi então que esse jovem se tornou cristão. Fez grande progresso na vida cristã e foi aclamado bispo de sua cidade. Hoje ele é conhecido por nós como Santo Agostinho.

Cristo sacia nossa sede de esperança

•    Assim como Agostinho, milhares e milhares de pessoas jovens ou não, ao longo da história abriram-se para Deus e, com o salmista, puderam dizer: “Senhor, longe de ti é impossível viver. A infidelidade para contigo é o começo da morte. A felicidade eu a encontro na caminhada para o Senhor. A segurança de minha vida é Deus para sempre” (Salmo 72).
•    Em Cristo, Deus assumiu nossa natureza, veio até nós para nos revelar a grandeza da dignidade humana e à que esperança nós somos chamados. O apóstolo Paulo se refere a isso dizendo: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o que o coração do homem não imagina, foi o que Deus preparou para aqueles que o amam” (ICor 2,9). Só Deus nos oferece o que pode saciar nossa sede de esperança e de vida.
•    Vamos ouvir um relato do Evangelho que nos fala sobre isso. Ler: Jo 4,4-15.
•    Nessa passagem, Jesus revela que ele pode dar, a quem quiser, a quem pedir, a quem buscar, a água que sacia e que jorra para a vida eterna. Jesus diz à mulher: “Se você conhecesse o dom de Deus e soubesse quem lhe pede de beber, você é que lhe pediria, e ele lhe daria água viva” (v.10).
•    É Jesus Cristo, Deus e homem, a fonte que sacia a sede de vida e felicidade que todos temos. Ele faz com que essa fonte jorre no íntimo de quem o acolhe e se orienta por sua palavra. É ele que revela o que realiza e dá sentido à nossa vida.

“O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o que o coração do homem não imagina, foi o que Deus preparou para aqueles que o amam” (ICor 2,9)

•    Ele nos fez perceber que viver de modo egoísta, para nós mesmos, é o começo da morte. Com sua vida, Jesus nos ensinou que o amor é que realiza e dá sentido à nossa existência. Amor que se manifesta e concretiza na generosa entrega de serviço para construir a felicidade do outro. É isso que faz a vida valer a pena! (Ilustrar com o exemplo da criança do ensino fundamental que questionada sobre o que era felicidade, respondeu que era poder fazer o bem para os outros).
•    Nós não devemos temer a Cristo como se ele quisesse tirar nossa liberdade ou nos pedir coisas que não estamos dispostos a dar-lhe. Basta-nos sentirmos amados por ele e querer corresponder ao seu amor. Aí perceberemos que Ele não nos tira nada do que torna a vida bela, livre, grande. Tudo o que Jesus nos ensina e nos pede visa à nossa realização maior, à felicidade plena. É nossa felicidade que Cristo quer. Nada é melhor que nos sentir amados por Deus.
•    Quando o acolhemos e aceitamos seu amor encontramos a verdadeira fonte da vida e da felicidade.
•    Além de dar novo sentido à nossa vida terrena, Jesus nos dá a possibilidade, que só Ele pode oferecer, de uma vida em comunhão consigo, na eternidade, destinando-nos à uma dimensão transcendente.
•    Enfim, como Santo Agostinho, nós também poderemos dizer: “Fomos feitos para Ti, Senhor, e nosso coração está inquieto enquanto não repousa em Ti”.
•    Concluir com a música: “Tarde te amei”, inspirada na obra de Santo Agostinho, “Confissões”.